Nesse livro, NOSOTROS, Wilson Coêlho representa ou apresenta uma face diferente de tudo o que escreveu até agora. Seus livros tinham um caráter dionisíaco. Aqui é um pouco diferente, se trata de uma espécie de testemunha de sua viagem à Cuba; ele não é o que sai da boca de Wilson Coêlho (Deixem-me Falar), mas o próprio país (Cuba) e o autor faz um trabalho de pesquisador. Ele olha a realidade de Cuba sem preconceito contra ou a favor.
Sinopse: A história de um personagem que, desde criança, se interessa pela Revolução Cubana e que, coincidentemente, acontece no ano de seu nascimento. Seus passatempos prediletos eram ler e ouvir música pelo rádio. Sua trajetória começa quando ele conhece Guantanamera, a partir da qual empenha-se em aprender a língua espanhola. Na medida em que cresce, envolve-se com o teatro, a literatura e a música, enfim, participa de diversos movimentos culturais e artísticos como festivais de teatro, música e literatura. Para além do seu interesse, muitos acontecimentos lhe conduzem em direção à realização de seu sonho de conhecer Cuba. O romance se desenvolve numa série de relatos onde o personagem se torna uma espécie de testemunha, considerando que a protagonista é a Revolução Cubana. Assim, o personagem está presente em diversos lugares e se envolve com muitas pessoas que desfrutam do tema em comum que é a América Latina.
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Wilson Coêlho se deixou levar pelo coração quando ele vê a condição das crianças. Dá a impressão de que temos um país que sobrevive apesar do “blocus continental” orquestrado pelo “Tio Sam” (desde que os USA boicotaram a Ilha) e Wilson Coêlho nos mostra que Cuba não é um país de delírio como a Coreia do Norte. Também não corteja os países dito ricos, e tem um vizinho que manda e desmanda no mundo.
O que vai sobrar de tudo isso? Eu acho que vão se formar vários blocos como já temos (Europa, Ásia, idem). É difícil opinar sobre o regime de Fidel Castro porque as informações que tínhamos eram vagas e até mentirosas.
Cuba, segundo Wilson Coêlho, se parece bastante com o Brasil; e é algo muito fino e delicado, justamente essa delicadeza da qual Rimbaud menino-poeta falava, dizendo que nós a perdemos por causa do mundo-ogro e reinos dos fortes, das máquinas.
Se diz que é um romance, mas é uma narração. Testemunha. Wilson Coêlho diz a verdade? A contra-corrente do que se fala normalmente – “A Europa é triste, perdeu o senso do sorriso.” (Camus)
O estilo é dos mais simples, enxuto, não tem aqueles “joyceanismos” dos outros livros; agora não é a linguagem que é o principal personagem. Para Wilson Coêlho tem uma obra se construindo sobre “as coisas vistas”, de Victor Hugo, em relação à revolução de 1848.
Wilson Coêlho observa que essa narração mostra certos traços semelhantes e o mais evidente é o fato de Vitória e Cuba serem ilhas. Uma, a primeira, como sendo “encaixada” no continente como um feto na Terra Mãe; ilha, pois, “fechada”. A outra, Cuba, completamente solta como um barco, mas – paradoxalmente – vítima do “blackout” dos USA que quer afundar o barco. “A Ilha Misteriosa”, “A Ilha de Thule”, Atlântida!…o fechamento do espaço da Ilha é ao mesmo tempo fechado (como sair dela?) e aberto, já que seu litoral pode nos levar a qualquer lugar ou a lugar nenhum.
MAPAS: Ilha de Vitória (Espírito Santo – Brasil) na América do Sul, e Ilha de Cuba na América Central. (Fontes: Google Maps e Professora de Geografia Luiza de Marilac)
A ilha tem a ver com o paraíso (ver um filme americano sobre esse tema). É o paraíso reencontrado: mas é também o inferno, já que a ilha é um esconderijo para os piratas. A foto da capa de qualidades estéticas, mas dá a impressão de que estamos num país onde teve uma guerra e um bombardeio. A ilha mostra um mundo parado no tempo e espaço vazio da solidão de Cuba diante dos USA. Ilhação. Solidão que permite a Cuba de escapar da sociedade de consumismo e oferece mais humanidade que essa. O tempo numa ilha é circular e isso é a marca dos deuses.
Nós temos: “Nossa Senhora do consumo”, olhamos como esse país que não passa a ideia de alienação, um país que é rejeitado pela comunidade internacional.
O ar de pobreza não está gravado nos rostos e percebemos uma espécie de afinidade natural.
Obviamente, com o “blackout” internacional a ilha poderia ter sido afundada. Mas não. Sem o apoio da URSS doravante morta, poderíamos pensar que Cuba ia desmoronar. Não, quer dizer, o sistema cubano consegue viver sem os vícios da sociedade de consumo. E a vida é difícil, é frágil, mas quem diz que ela é fácil? Ela é, sim, frágil como uma moça ou uma rosa: fonte de vida e não de morte. Como o Vietnam e a Praia dos Porcos, nome predestinado…
Fotos de Revolucionários que resistiram e resistem ao imperialismo norte-americano em alguns países onde as invasões dos USA fracassaram. (Clique nas FOTOS para ampliar e nas LEGENDAS para acessar as fontes).
Num mundo preso nas redes de comunicação, Wilson Coêlho desperta em nós um sentimento indispensável:
a Esperança.
Vida e Obra de Wilson Coêlho:
Wilson Coêlho é poeta, tradutor, palestrante, encenador, dramaturgo e escritor com 20 livros publicados, licenciado e bacharel em Filosofia e Mestre em Estudos Literários pela UFES, Doutor em Literatura Comparada pela UFF e Auditor Real do Collège de Pataphysique de Paris. Como professor universitário lecionou disciplinas de filosofia, ética, ciência política, artes e lógica. Assina a direção de 24 espetáculos montados pelo Grupo Tarahumaras de Teatro, com participação em festivais e seminários de teatro no país e no exterior, como Espanha, Chile, Argentina, França e Cuba, ministrando palestras e oficinas.
Confiram seus livros publicados:
Livros publicados por Wilson Coêlho. Adquira um exemplar. Contato do autor: (27) 99816.7616
Gilbert Chaudanne é francês, formado em biologia, com mestrado em geologia, porém escritor, pintor e crítico de arte. Desde que saiu da França, tendo viajado por vários países, exerceu diversas funções, de ajudante de pedreiro a entregador de cerveja, foi diretor e professor do Colégio Sinjacy (Laos),diretor da Aliança Francesa de Teresina (PI), professor de Literatura Francesa da Universidade Federal do Piauí, professor de Língua Francesa no Centro de Línguas do Piauí e, por último, professor de Literatura do Curso Universitário Nancy (França) na Aliança Francesa de Vitória-ES. Tem vários livros publicados, na França e no Brasil, além de colaborar, nesses países, para revistas, cadernos e jornais de cultura. Atualmente, realiza palestras de arte e literatura.
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Cavernas são ecossistemas frágeis e delicados. Nestes ambientes, fluxos de energia estão se processando a cada momento, sendo preciso todo cuidado quando existem intervenções humanas.
A legislação espeleológica no Brasil evoluiu nos últimos anos em boa parte impulsionada pelo conflito existente entre o incremento da pressão econômica sobre recursos naturais e a crescente preocupação com a preservação e a conservação ambiental. Neste contexto, a necessidade de preservação e conservação do patrimônio espeleológico frente as atividades impactantes relacionadas principalmente à mineração e também pelo setor hidrelétrico, urbanizações, agronegócios dentre outros no país, engendrou a formulação de uma legislação específica. A mesma é abordada de forma resumida neste texto que apresenta uma breve revisão sobre as principais leis editadas a partir da promulgação em 1988 da Constituição da República Federativa Brasileira (Brasil, 1988).
Gruta do Lago Azul, Bonito, Mato Grosso do Sul – O tom azul impressionante que dá nome ao seu lago, de águas cristalinas e profundidade desconhecida – o máximo que já chegaram em profundidade foi 87 metros –, é reflexo da incidência do sol. Dentro da gruta, há formações curiosas de estalactites e estalagmites e fósseis de animais da pré-história, como a preguiça gigante. (Sidney Michaluate/Wikimedia commons – Viagem & Turismo – Editora Abril)
O ponto central da questão espeleológica é destacado no Artigo 20º, do Capítulo II da Constituição de 1988 que estabelece que as cavidades naturais subterrâneas no Brasil são bens da União (Brasil, 1988). Elas podem ainda de acordo com suas características serem consideradas como sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico conforme previsto no Artigo 216º da Constituição.
Após a Constituição, o Decreto Federal nº 99.556 publicado em 1° de outubro de 1990 teve como objetivo estabelecer a proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes no território brasileiro, preservar sua integridade física e o ecossistema a ela associado. O entendimento geral desta lei é que toda e qualquer cavidade natural subterrânea deveria ser protegida. O efeito prático desta legislação foi a paralisação de atividades minerárias e o incremento de estudos e cadastros espeleológicos no país.
“Mesmo sendo resguarda por 8 instrumentos de proteção ambiental, cultural e histórica, região é alvo de novo pedido de exploração minerária. Área é repleta de nascentes, cavernas pouco estudadas, transições de biomas e abriga um dos patrimônios culturais mas importantes de Minas Gerais”.
Seguindo a linha conservacionista, em junho de 1997 o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA criou o Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas – CECAV, órgão com objetivo específico de executar programas que visam proteger e conservar o patrimônio espeleológico nacional.
Abismo Anhumas, Bonito, Mato Grosso do Sul – A gigantesca caverna submersa está entre as atrações mais espetaculares da cidade. Descoberta em 1970 pelo funcionário de uma fazenda da região, ela abriga um lago cristalino propenso as práticas de mergulho e flutuação. Para chegar até ele, é preciso fazer uma longa descida de rapel. (Fonte: Viagem & Turismo – Editora Abril)
Em setembro de 2004, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA editou a Resolução Nº 347 (Brasil, 2004), que dispõe sobre a proteção do patrimônio espeleológico. Teve como objetivo instituir o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas – CANIE, e estabelecer, para fins de proteção ambiental das cavidades naturais subterrâneas, os procedimentos de uso e exploração do patrimônio espeleológico nacional.
A criação do CANIE, cuja gestão seria do IBAMA, é parte integrante do Sistema Nacional de Informação do Meio Ambiente – SINIMA, teve como objetivo congregar informações correlatas ao patrimônio espeleológico nacional.
Outro aspecto da legislação diz respeito à necessidade de licenciamento por órgão ambiental competente para empreendimentos e atividades com potencial ou que efetivamente possam poluir ou degradar cavidades naturais subterrâneas e sua área de influência. Conforme previsto no Artigo 4º da Resolução CONAMA 347.
“A localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos e atividades, considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou degradadores do patrimônio espeleológico ou de sua área de influência dependerão de prévio licenciamento pelo órgão ambiental competente, nos termos da legislação vigente”.
Artigo 4º da Resolução CONAMA 347
Decreto Federal 99.556/1990 foi alterado por uma nova redação dada pelo Decreto Federal 6.640/2008 e mantém a finalidade proteger o patrimônio espeleológico, autorizar e promover estudos e pesquisas técnico-científicas, além de atividades espeleológicas, esportivas, turísticas, recreativas, educacionais e culturais (Brasil, 2008).
Dentre as principais mudanças, destaca-se o Artigo 2º do referido Decreto prevê uma classificação em quatro graus de relevância para as cavidades naturais subterrrâneas conforme transcrito abaixo:
“A cavidade natural subterrânea será classificada de acordo com seu grau de relevância em máximo, alto, médio ou baixo, determinado pela análise de atributos ecológicos, biológicos, geológicos, hidrológicos, paleontológicos, cênicos, histórico-culturais e socioeconômicos, avaliados sob enfoque regional e local”.
Artigo 2º do Decreto Federal 6.640/2008.
Para a avaliação das cavidades, deve ser feita a análise de seus atributos, classificando os graus de importância entre acentuado, significativo ou baixo, tanto sob o enfoque local quanto regional.
As regras para a classificação dos graus de relevância das cavidades naturais foram determinadas pela Instrução Normativa MMA 02/2009. Posteriormente, este marco regulatório foi revogado pela Instrução Normativa MMA 02/2017 que redefiniu completamente a metodologia para a classificação.
Na IN MMA 02/2017 são reapresentados, com algumas modificações, os conceitos dos atributos a serem considerados para as quatro classes de relevância espeleológica, ou seja para os graus máximo, alto, médio e baixo. A definição do grau de relevância das cavidades naturais subterrâneas deverá considerar, segundo os enfoques local e regional, os atributos, grupos de atributos, peso e contribuição. Ainda em conformidade com esta última Instrução Normativa, a importância dos atributos das cavidades naturais subterrâneas será definida como acentuada, significativa ou baixa de acordo com o número de grupos de atributos minimamente significativos, avaliados sob os enfoques local e regional.
A classificação final determina a possibilidade ou não de impactos negativos irreversíveis bem como as medidas de compensação que devem ser adotadas. São vedados impactos nas cavidades naturais classificadas com máxima relevância. A compensação de cavidades classificadas com alta relevância se dá com a preservação de duas outras também classificadas com alta relevância. As cavidades classificadas com o grau médio de relevância poderão ser compensadas com de outras formas de acordo com o órgão licenciador. Não há previsão de compensação para cavidades de baixa relevância (Brasil, 2008).
Cavidades Naturais em Granitos e Gnaisses
Cavidades naturais em granito e gnaisses ainda são pouco conhecidas e estudadas se comparada à outras litologias. De forma mais intensa, a partir da década de 1970, expedições e estudos nestas cavernas foram relatadas em diversos países sendo possível citar apenas alguns deles:
Estados Unidos – T.S.O.D Cave, New York (Carrol Jr, 1977);
Austrália – Girraween National Park (Finlayson, 1982); Labertouche Cave em Melbourne (Finlayson, 1986);
Constituídas por um sistema de canais horizontais e/ou verticais, com fraturas e estruturas geológicas de variações irregulares, as cavernas formam um complexo sistema de condutos de excepcional beleza cênica, onde a ação da água, em algum momento do tempo geológico e por meio de diferentes processos, dissolveu a rocha matriz.
Diversas classificações tipológicas de cavidades naturais em granitos são encontradas na literatura (Twidale, 1982; Sjöberg, 1986; Finlayson, 1986; Twidale & Vidal Romaní, 2005) e apresentam variações de organização e nomenclatura. A Figura 1 ilustra de forma esquemática a classificação de Finlayson (1986).
Figura 1: Esquema de classificação de Finlayson (extraído de Hardt, 2003). Possíveis processos de gênese de cavidades nos domínios de Embasamento Granito-Gnaissico.
Uma síntese das tipologias é apresentada por Vidal Romaní &Rodriguez (2011) que descrevem os três tipos principais: Cavernas Estruturais (também relatadas como cavernas em fissuras ou em juntas, Cavernas em Blocos (por vezes relatadas como cavernas de talus, cavernas em matacões ou empilhamento de blocos) e Tafonis.
Exemplo de Caverna Estrutural. | Exemplo deCaverna em Talus.
Exemplo deCaverna formada por instabilização de blocos. | Exemplo deCaverna com circulação de água.Exemplo de Tafoni.
Um ponto importante relacionado a dimensões das cavidades em granitos e gnaisses ressaltado por Twidale & Vidal Romaní (2005) é que independente da solubilidade da rocha, outros fatores podem ser determinantes para o desenvolvimento do vazio subterrâneo. Dentre eles, a dimensão e conectividade das descontinuidades na rocha (p. ex. fraturas, falhas, estratificações), continuidade e velocidade da passagem de água, gradiente hidráulico e taxas de elevadas pluviosidades, mesmo em rochas pouco solúveis como no caso de granitos e gnaisses podem formar grandes sistemas de cavernas. Em termos de dimensões as maiores cavernas graníticas do mundo são apresentadas na Tabela a seguir:
Tabela 1: Relação das cavernas em granito e gnaisse com maiores desenvolvimento e desníveis em âmbito mundial em 2008. (Fonte: Basis for the statement and management of the Folón Cave as a natural monument: Adenda to the file of Statement to Granite System Cave of O Folón as natural monument. Vigo 06/2008 – Spain. Disponível em: http://www.mauxo.com/downloads/Folonv3.9.0.es.hd.pdf)
No Brasil expedições e pesquisas em cavidades de Granito, Granitóides e Gnaisse foram realizadas no sul de Minas Gerais (Sena, 1995; Hardt, 1996), em Bertioga (Zampaulo et al., 2005) e Ubatuba (Igual et al., 2011) em São Paulo. Na Bahia, tafonis foram cadastrados por Auler (2007).
Nos últimos anos a Gruta do Riacho Subterrâneo em Itu (SP) se destaca como a maior caverna de granito da América do Sul apresentando cerca de 1.400 m de desenvolvimento linear e despertou o interesse multidisciplinar atraindo a atenção devido aos aspectos mineralógicos, biológicos, arqueológicos (Igual, 2011).
Em 2012, a Base de Dados Geoespacializados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas – CECAV disponibilizava informações sobre a localização geográfica de 10.134 cavidades naturais subterrâneas no Brasil. Deste total, 140 cavidades se localizam em litologias como granito, gnaisse e granitóides, ou seja, pouco mais de 1% (Galvão & Cruz, 2012). O número é relativamente muito pequeno considerando o potencial para ocorrências espeleológicas nestas rochas no Brasil. Como exemplo, a Província Geológica da Mantiqueira de extensão regional abrangendo partes dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro (p.ex. Serra do Mar), o sul e leste de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia.
(Referências Bibliográficas no fim da página)
Eduardo Abjaud Haddad
Mestre em Geografia e Espeleólogo
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AULER, A. 2007. Expedição cadastra tafoni na Bahia. Conexão Subterrânea, Boletim 49,pg.1, Redespeleo – disponível em http://www.redespeleo.org.br
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Decreto n. 99.556, de 01 outubro de 1990. Dispõe sobre a proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes no território nacional, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 02 out. 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D99556.htm>.
BRASIL.Resolução CONAMA Nº 347, de 10 de setembro de 2004. Dispõe sobre a proteção do patrimônio espeleológico. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 set. 2004.Disponível em: http://www.mma.gov.br.
BRASIL.Decreto Federal n. 6.640 de 7 nov. 2008. Dá nova redação aos arts. 1º, 2º, 3º, 4º e 5º e acrescenta os arts. 5-A e 5-B ao Decreto número 99.556, de 1º de outubro de 1990, que dispõe sobre a proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes em território nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 nov. 2008. Seção 1. p. 8.
BRASIL.Instrução Normativa n. 2, de 20 de agosto de 2009. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 ago. 2009.
BRASIL. Instrução Normativa n. 2, de 31 de agosto de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2017.
CARROLL Jr, R.W. TSOD – The adirondack talus cave that went the extra mile. The Cascade Caver. International Journal of Vulcanospeleology. v.16. n. 7-8, p.67-69.
CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE CAVERNAS – CECAV. 2012. Banco de dados. Disponível em: http://www4.icmbio.gov.br/cecav/ Consultado em 05 de dezembro de 2015.
FINLAYSON, B.L. 1982. Granite caves in Girraween National Park, southeast Queensland. Helictite, 20: 53-59.
FINLAYSON, B.L.1986.The formation of caves in granite. Book In: New directions in karst, Sweeting, M. M. P., K., (ed.). Norwich (UK)l: Geobooks, 333-347.
GALVÃO, A.L.C.O.; CRUZ, J.B. 2012. Brasil ultrapassa 10.000 cavernas conhecidas: considerações técnicas sobre os dados geoespacializados e disponibilizados pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas – CECAV. EspeleoInfo: Boletim Eletrônico do CECAV – Ano 3, Edição Especial. Disponível em: http://www4.icmbio.gov.br/cecav/ (Consulta em 20 de janeiro de 2012).
HARDT, R. 2003. Cavernas em granito e gnaisse. Aplicação de um sistema de classificação. Congresso. Brasileiro de Espeleologia, Anais XXVII CBE, Januária – MG, julho de 2003.
IGUAL, E.C.; MARTINS, C.E.; PEREIRA, P.L. 2011. Grutas Granitóides na Praia da Sununga, Ubatuba – SP. Teto Baixo – Ano II – Número II – 06/05/2011 – pág. 04. Boletim Eletrônico do GPME – Grupo Pierre Martin de Espeleologia. ISSN 2177-8167 Disponível em: http://www.blog.gpme.org.br/?p=773. Consulta em 20 de janeiro de 2012.
IGUAL, E.C. 2011. Gruta do Riacho Subterrâneo, Itu-SP (CNC SBE SP 700): a maior caverna em granito do Hemisfério Sul. Teto Baixo – Ano II – Número II – 06/05/2011 – pág. 12. Boletim Eletrônico do GPME – Grupo Pierre Martin de Espeleologia. ISSN 2177-8167 Disponível em:http://www.blog.gpme.org.br/?p=773. Consulta em 20 de janeiro de 2012.
MC AMBIENTAL LTDA. Relatório de Prospecção Espeleológica. Projeto de Ampliação de Serra Azul Área de Alternativa de Barragem 9B. MMX – Grupo EBX Município de Itatiaiuçu Minas Gerais. Janeiro de 2012.
SCHEUERER, M LUNDBERG, J. E. K., SJÖBERG, R. Gobholo Cave: a long granite cave in Swaziland (Southern Africa). Karst and Caves in Other Rocks, Pseudokarst – oral 2013. ICS Proceedings.
SENA, F.S. Considerações Genéticas de Cavidades em Gnaisse, Heliodora MG. XXIII Congresso Brasileiro de Espeleologia (inédito). Monte Sião, 1995.
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SONG, Z.; TANG, W.; LIU, X.; WANG, L.; XIANG, S.; LI, J.; YANG, S. 2015. Genesis and Geological Significance of Granite Caves in Laoshan of China. Chemical Engineering Transactions. v. 46: 763 – 768.
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TWIDALE C. R. Granite Landforms, Elsevier, Amsterdam, 1982.372 pp.
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VIDAL ROMANÍ, J. R.; SANJURJO SÁNCHEZ, J.; VAQUEIRO, M., FERNÁNDEZ MOSQUERA, D. Speleothems of Granite Caves. Comunicações Geológicas, 2010, t. 97, pp. 71-80.
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ZAMPAULO, R.A.; FERREIRA, J.S.; LIMA, M.E.L.; PEREIRA, M.H. Prospecção e topografia da Gruta Granítica T 47, Bertioga, São Paulo. Anais do XXVIII Congresso Brasileiro de Espeleologia. Campinas, São Paulo, 7 a 10 de julho de 2005. Sociedade Brasileira de Espeleologia.
Sinto muito decepcioná-los, mas não vejo outra forma de fazer alguma coisa no Brasil senão através da polarização, melhor, radicalização. Não tem nada a ver com extremismo, radicalizar no sentido de tomar as coisas pela raiz. Por que só é proibido ser radical pela esquerda e nunca pela direita? Ninguém mais radical do que a burguesia que leva a ferro e fogo a defesa de seu poder sobre os meios e os modos de produção e, óbvio, o seu capital, enquanto a classe explorada, a força de trabalho transformada em mercadoria que a todo momento é humilhada e pisoteada tem que fazer jogo de cintura para não contrariar os opressores.
Até me arrepio quando ouço falar em esquerda progressista, me lembro o lema “Ordem e Progresso” do positivismo comtista. Esquerda progressista não passa de um eufemismo para a socialdemocracia que é o tumor por onde nasce o grande câncer do neoliberalismo.
A socialdemocracia pode até parecer interessante, mas apenas para aquele setor da classe média que já tem um padrão de vida mais ou menos e acredita que um dia ainda vai ser rica. Mas para os operários, os trabalhadores do campo, os pequenos comerciantes, os desempregados, o lumpenzinato e a grande maioria da população é uma tragédia.
“O lúmpen é avesso a qualquer projeto de longo prazo, não é classe, não é coletivo. Atualmente, sua principal representação é o próprio presidente da República: nunca representou um setor social específico, mas surfou em ondas de insatisfação difusas. E agora quer ‘descontruir’ o país”
A desgraça do Brasil é que ao longo de sua história vigorou o consenso, onde as vítimas fazem acordo com os carrascos, os colonizados com os colonizadores, os escravos com os senhores. Também entendo como se mantém até hoje esse preconceito contra o PT, mas poucos sabem como ele foi construído, pois vivemos num país sem memória e os meios de comunicação como porta-vozes da burguesia através de seus patrocinadores cumprem seu papel de escamotear a realidade. Até hoje muita gente acredita na história da “mamadeira de piroca”, mas pouquíssimos sabem da mamadeira que os alimentou durante – não só nos governos do PT, mas desde até um pouco antes do final da ditadura militar.
Essa mamadeira se chama “Orvil”, livro de trás para frente, conhecido também como “Livro Negro do Terrorismo no Brasil”, escrito em segredo pelo Centro de Informações do Exército (CIE) e organizado pelo General Leônidas Pires Gonçalves. O “Orvil” surge com a pretensão de responder ao livro “Brasil: Nunca Mais”, projeto audacioso de denúncia que chamou a atenção do mundo contra a tortura e a violência praticada pelo regime militar no Brasil, organizado pelo cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns e pelo reverendo presbiteriano Jaime Wright.
No caso do “Orvil”, o objetivo do Exército era mostrar o seu “outro lado” e organizou o livro a partir de boletins forjados do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) e sob o prisma dos torturadores e dos fascistas de plantão dessa época. É mais ou menos como contar a história do safari a partir dos caçadores sem levar em conta os elefantes, os leões e todos os animais assassinados.
Sou fundador do partido, mas não sou nenhum fanático e são poucas pessoas que têm tantas críticas quanto eu tenho do PT porque ele errou muito feio. Primeiro, eu acredito que, em 1989, o PT deveria ter aberto mão da candidatura à presidência do Brasil e ter apoiado Leonel Brizola. Assim, o Lula poderia ser o ministro do trabalho e o partido fortalecendo com as bases sindicais e o MST para dar sustentação ao governo e em momentos estratégicos fazer pressão para se avançar nos projetos sociais mais atrevidos e rumo ao socialismo. Acredito que o PT deveria ter aposentado ou afastado ou colocado no paredão esse bando de canalhas do antigo SNI que minaram todo o seu governo.
O PT deveria ter desprivatizado a CVRD e tantas outras empresas que o governo neoliberal entregou praticamente de graça ao capital estrangeiro, aliás, essa tal privatização não passa de um papo para boi dormir. Trata-se de uma grande mentira e o termo correto para se usar seria desnacionalização, porque foram compradas por estatais estrangeiras, ou seja, o discurso de estado mínimo não vale para os países desenvolvidos que fazem de tudo para fortalecer o estado e proteger suas empresas.
Quem me dera que o país fosse realmente polarizado porque isso implicaria uma participação do povo, mas como dizia o Lima Barreto, “o Brasil não tem povo, tem público”. O povo tem se comportado como um bando de alienados assistindo a uma briga de rinha. Um critica a crista do galo, outro fala mal da espora ou da pena da asa, mas sempre de fora e suas ações no cotidiano em nada contribuem para alterar o sistema ou sequer colocá-lo em questão.
Outro tema que me incomoda é essa tal “Mea Culpa” que se cobra do PT. Gostaria até de ter a oportunidade de responder a isso, desde que fosse explícito e pontual o que isso significa. Em que momento, em que condições, onde e quando. Óbvio que não vou responder pelo partido porque não o estou representando, mas o faria como um cidadão que acompanha a política brasileira, desde as ações parlamentares até o que veicula a imprensa, mas de um lugar quase privilegiado que é o de estar envolvido diretamente com comunidades e setores organizados da sociedade civil.
O que causa estranheza é que há 520 anos que o Brasil foi invadido e, durante todo esse tempo, somente governou, entre aspas, de 2003 até meados de 2016. Digo que governou “entre aspas” porque seu governo somente se viabilizou por ter composto com mais e de uma dezenas de partidos entre esquerda, centro-esquerda e centro-direita (as duas últimas, outro eufemismo da direita). Aí sim, uma possibilidade de outra “Mea Culpa“. Não seria melhor ter saído com uma chapa “puro sangue” e ter perdido as eleições?
Mas conhecendo a realidade brasileira de um povo que morre de medo de polarização e radicalização, inclusive, por sua cultura cristã entende o mundo de forma vertical e não horizontal, o PT preferiu permanecer no erro e acreditar no consenso. Não havia um espaço para uma revolução.
Óbvio que, nesse momento, até a burguesia não fez tanta questão de ganhar a eleição. Vivia-se um momento muito tenso e em vias de uma convulsão social. Greves específicas e gerais e movimentos populares espocavam por todo o país. Muito desemprego, miséria, fome e uma média de 300 crianças com menos de dois anos de idade mortas por dia, de inanição. Até a Globo aliada teve que noticiar isso.
Jornal Nacional (2001): Fome mata 300 crianças por dia no Brasil – como se fosse um fenômeno natural, sem vincular às políticas de FHC (PSDB).
À burguesia, apesar de não ter investido contra, interessava a eleição de Lula do PT, acreditando que haveria uma espécie de trégua para os dominantes, para evitar essa tão temida convulsão que, obviamente, se transformaria numa barbárie, onde perderiam o controle. Ela acreditava como estratégico Lula ser eleito e, ao mesmo tempo, poder inviabilizar seu governo, criar um caos e depois voltar retomando as rédeas. Tentou impedir com a história do mensalão, não deu certo, o Lula foi reeleito e, ainda fez a Dilma sucessora e, depois, reeleita. Assim, não tiveram outra alternativa senão o golpe, porque por vias democráticas a burguesia estava falida, sem propostas verdadeiras e sem moral ou competência para assumir o poder.
Voltando a ideia de “Mea Culpa” e, retomando o tema do Brasil ter 520 anos e que o PT governou durante 13 deles, por que ninguém cobra a “Mea Culpa” dos outros 503 e todas as catástrofes e injustiças que cometeram, inclusive, com mais de 300 anos de escravidão negra assumida e institucional? Não faço nem mesmo um a exceção para os 21 anos da ditadura militar, porque os militares nunca governaram.
Eles atuaram apenas como cães adestrados para morder os que se opunham ao projeto da burguesia que, diga-se de passagem, apenas davam a continuidade de poder que já existia desde a monarquia que se instaurou em 1500, na colonização. Que diabos de “Mea Culpa” deve o PT que, para ser eleito e conseguir abrir algumas pequenas brechas para implantar projetos sociais, teve que compor com um monte de partidos que lhe garantissem a governabilidade? Por que ninguém cobra a “Mea Culpa” dos outros partidos que foram da composição que permitiram a eleição do PT?
Sem querer ser didático, numa sociedade dividida em classes, ou seja, opressora e oprimida, o estado sempre está a serviço da opressora. O máximo que os oprimidos podem fazer é tentar minar algum campo e abrir alguma brecha para realizar alguns projetos. Só para se ter uma ideia, dos 513 deputados que compõem o Congresso Nacional, 436 são homens e apenas 77 são mulheres, apesar de ser o maior número na história. E, ainda, desses 513, 385 são brancos, 104 pardos, 21 negros, 2 amarelos e 1 indígena. No Senado Federal, dos 81 eleitos são 69 homens e apenas 12 mulheres. Quanto a autodeclaração de raça: 67 brancos; 11 pardos; 3 negros.
Independente desses dados, há outros muito piores porque tanto o congresso quanto o senado são divididos em bancadas, não no sentido estrutural do parlamento, mas ideológico e de interesses privados. E dessa divisão, as bancadas mais numerosas e, por isso, poderosas, são as compostas por representantes de latifundiários, banqueiros, donos de escolas, hospitais, igrejas, etc. e, pasmem, a menor bancada é a que está em defesa dos trabalhadores. Há que se perguntar: que democracia é essa?
Por essas e outras, retomo a fala do filósofo italiano Antonio Gramsci quando diz que “Sou partidário, estou vivo, sinto já na consciência dos que estão ao meu lado o pulso da atividade da cidade futura que os do meu lado estão construindo. Nela, a cadeia social não gravita sobre alguns poucos; nada que está nela acontece por acaso, nem é produto da fatalidade, e sim obra inteligente dos cidadãos. Ninguém que está nela fica olhando da janela, passivamente, o sacrifício e a sangria dos outros. Vivo, sou partidário. Por isso odeio quem não toma partido. Odeio os indiferentes.”.
E, para terminar, afirmo que prefiro morrer de pé do que viver de joelhos.
Wilson Coêlho
Dramaturgo, Teatrólogo e Poeta
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Os direitos de terceira geração (ou dimensão) nos convidam a transcender nossa individualidade em prol do coletivo, nos provocam reflexões sobre a importância do que nos é comum, transindividual.
O meio ambiente ecologicamente equilibrado, a vida digna, a erradicação da pobreza e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, são exemplos de direitos e objetivos fundamentais intrinsecamente interligados; o exercício e o alcance dependerão de práticas e políticas públicas holísticas, sustentáveis, solidárias.
Hoje, enquanto habitantes do mesmo planeta, moradores da mesma casa, somos convidados, ironicamente, por meio do isolamento, a pensar no coletivo, a compreender que somos seres sociais. Interligar os nossos esforços e respeitar os limites impostos é condição sine qua non para permanecermos vivos; estamos sendo apresentados aos nossos deveres fundamentais.
A Constituição Cidadã de 1988, em seu art.4º, IX, afirma que a República Federativa do Brasil se rege, nas suas relações internacionais, entre outros, pelo princípio da cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. Na atual conjuntura este dispositivo constitucional nos proporciona um grande número de reflexões. Reconhece que somos parte integrante de um todo maior, que para o progresso (leio evolução) é necessário cooperação. Para o bom intérprete, o coronavírus ensina que o problema não é só da China, nem só da Itália. O progresso que se busca não é o de um ente, instituição ou entidade, mas da humanidade. O princípio da cooperação, logo, nos remete aos Tratados Internacionais de Direitos Humanos, à “consciência da humanidade”, onde as nações do mundo devem desenvolver relações de amizade. Muitos pensarão que é algo utópico, mas como já dizia Galeano citando Fernando Berri: “a utopia serve para isso, para que eu não deixe de caminhar.”.
Caminhando, recentemente, o governo cubano acolheu um navio britânico com viajantes infectados pelo coronavirus, após ser rejeitado em outras nações do Caribe e passar vários dias no mar. O Ministério das Relações Exteriores de Cuba, em nota, ressaltou que a crise global pede ações cooperativas entre as nações: “São tempos de solidariedade, de entender a saúde como um direito humano, de reforçar a cooperação internacional para enfrentar desafios comuns, valores que nos são inerentes à prática humanística da Revolução e de nosso povo”. ¹ Entre outros grandes exemplos, podemos citar a equipe chinesa que chegou na Itália, juntamente com toneladas de suprimentos médicos, para ajudar a conter o surto do novo coronavírus. Francesco Rocca, presidente da Cruz Vermelha Italiana, agradeceu os especialistas chineses que, após seu árduo trabalho na linha de frente por mais de um mês, escolheram seguir em frente viajando até a Itália para oferecer ajuda. ²
No Brasil, os problemas podem se agravar para além do vírus se não internalizarmos os princípios fraternos e agirmos em prol do coletivo, por ações particulares ou privadas e políticas públicas que ajudem a combater a miséria de quem tem fome, de quem não tem casa, de quem tem frio e a enfrentar a pobreza de quem tem muito e não consegue³ compartilhar.
A prática econômica que se pretende sustentável não pode marginalizar os direitos fundamentais. O direito, assim como a vida no planeta, é sistêmico e a condenação a que estamos sujeitos enquanto espéce, em casos como esse que estamos vivenciando agora, não permite exclusão de ilicitude como no nosso Código Penal.
Inicia-se, talvez, a compreensão de que a fraternidade é a pedra fundamental para a continuidade da vida digna para a humanidade na Terra. Para se construir as condições necessárias a se evitar riscos à vida humana no planeta, se faz (há tempos) necessário e urgente a adesão às lentes sociais – um olhar que promova entre nós, alteridade e reconhecimento; assim como políticas públicas que considerem a economia como parte integrante do meio ambiente (para que haja equilíbrio e sustentabilidade) e de um corpo social (para que não marginalize a pobreza e oculte a desigualdade sustentada pela concentração de riquezas).
Em tempos de calamidade pública e exposição a riscos como agora, percebemos como a atuação do Estado é essencial e também como é imprescindível cooperar.
Quando se reconhece “estado de calamidade pública”, se impõem um dever social de mútua assistência e o cometimento de crimes nessas circunstâncias, demonstra, como ensina o professor Rogério Sanches ao citar Fernando Galvão, insensibilidade para com os mandamentos emanados da solidariedade social.
O Estado vem testando suas forças e nós nosso caráter social; percebe-se, tarde, o porquê de a saúde, o meio ambiente ecologicamente equilibrado, a erradicação da pobreza e a solidariedade, entre outros, estarem previstos nos tratados internacionais como direito humano e na nossa Carta Magna como DIREITO FUNDAMENTAL.
Que este difícil momento sirva para sermos mais solidários e nunca mais se diga que política não se discute, ou que a miséria do outro não é problema nosso. Que percebamos a tempo que estamos condenando o equilíbrio necessário para a vida digna no planeta Terra; estamos ferindo direitos pertencentes às gerações futuras. Que lembremos a todo momento que a Terra é um organismo VIVO e que estamos provocando em seu corpo físico o que vírus e bactérias provocam em nós: diarreia (lama), febre (fogo), falta de ar (óleo), tosse (combustíveis fósseis). Precisamos evoluir e preservar a memória e o planeta, que não é nosso (apenas estamos nele) ,precisa se recuperar das agressões sofridas.
Me despeço com esta, recente, notícia: Em razão dos bloqueios pelo coronavírus realizados na Itália, além de ter diminuído drasticamente a poluição, as águas dos canais de Veneza estão transparentes e até golfinhos têm aparecido por lá. ⁴
³ opto pela palavra “consegue” e não “quer”, pois acredito que distribuir recursos e dividir riquezas é um dos maiores gestos de coragem que um ser humano pode exercitar.
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Nada de novo no front. Realmente, o projeto desse desgoverno é fazer de conta que não têm projetos. Podem não ter para o movimento cultural organizado e consciente no seu papel de construção de significados e transformação social. Os governos de direita são os que mais investem e se preocupam com a arte e com a cultura, porque eles sabem que é por aí que se engrandece ou debilita uma população.
A direita trabalha com a segunda alternativa, mas é sutil e faz as pessoas terem a ilusão de que são autônomas, que acreditem que o jeito de falar, vestir, andar e brincar de ser livre, “ser foda”, “arrasar”, “pocar a boca do balão” são meros resultados de uma decisão pessoal. De vez em quando alguém diz: “seja você mesmo”. Óbvio que até parece um paradoxo. Por um lado, implanta o espírito de vira-latas que faz com que essas pessoas se submetam a qualquer coisa como se estivessem predestinadas a “fazer o serviço sujo” (vender sua força de trabalho como mercadoria) e servir para ter um mínimo para sobreviver. Por outro, lhes vende um sabonete cuja espuma faz o sujeito asfixiado de si mesmo acreditar no mote da autoestima: seja você mesmo. Se tirar os acessórios o “você mesmo” é uma sacola de plástico vazia.
Evidente que o exemplo do você mesmo é só uma referência ao que muitos dizem, porque não existe “você mesmo”, mesmo que você mesmo acredite nisso, porque você não existe sem a alteridade. Quase um paradoxo porque, na verdade essas atitudes se complementam, ou seja, na medida em que um sujeito acredita que toda a oportunidade que lhe deram é proporcionalmente relativa à sua capacidade máxima de atuação no mundo, para que não seja tão doloroso aceitar essa condição, ele precisa “amar” isso que faz.
O problema é que essa autoestima também produz imbecis apaixonados por suas imbecilidades, idiotas orgulhosos por serem idiotas, burros apaixonados pelas carroças e pelos chicotes de seus amos. E o pior, um desgraçado que sofre de autoestima jamais perceberá a necessidade de crescer, de aprender e entender e respeitar a coletividade. No máximo entende por coletivo a pequena tribo que o apoia. Mas o que isso tem a ver com a cultura que era o tema inicial? A cultura é aquilo que se cultua, que se cultiva, o que se faz culto. Como vivemos numa sociedade dividida em classes, uma que domina e outra que é dominada, a cultura predominante é a cultura do dominante que quer estratificar esse tipo de relação para continuar dominando.
Daí surge a arte, praticamente como fruto das contradições da cultura não dá conta para satisfazer os anseios dos humanos. A arte está aí para colocar a cultura em xeque para que ela pergunte a si mesma sobre o que cultua. Por isso os governantes adoram falar em cultura e fazem de tudo que ela seja confundida com a arte. Porque toda arte é contracultura, toda arte é aquilo que incomoda aos que pensam e querem um mundo pronto e acabado. Mas como pensar num mundo pronto e acabado? Se existe tanta crueldade, injustiça, violência e depredação da vida, como pode o mundo estar pronto? Ele precisa ser transformado.
Assim, não dá para crer que o artista esteja acima do bem e do mal, pois toda arte é política e necessita de compromisso com o outro porque ela só existe na relação. Tanto o governo quanto a imprensa e, pasmem, até muitos artistas falam de “classe artística”. Isso me parece um absurdo. No nosso sistema, só existem duas classes, a dominante e dominada, leia-se, opressora e oprimida. E há artistas a serviço de ambas as classes.
E, por incrível que pareça, a maioria dos artistas serve à classe dominante, por ser mais cômodo, porque ela paga melhor e porque tem maior demanda. A arte é um fenômeno que se realiza entre uma obra que está sendo vista e aquele que o vê. O problema é que a maioria dos artistas não têm consciência de classe. Nem sabem o que é isso, inclusive, por desconhecer o significado de classes fala em classe artística como se não fizesse parte do mundo. Regina Duarte também é assim. E a direita adora que os artistas se achem a própria classe de si mesmos, porque assim não percebem que estão transmitindo a ideologia burguesa do entretenimento, sem doer.
Wilson Coêlho
Dramaturgo, Teatrólogo e Poeta
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A MAIOR VIAGEM DA SUA VIDA OU SEU DINHEIRO DE VOLTA
A agência de viagens Turismo-Planográfico vai te levar para além dos mares continentais, por sobre os oceanos, por cima das geleiras (que não deixam a água salgada cair no espaço), atravessando o domo, até o precipício de um abismo sem fim.
Já imaginou você poder admirar, da beirada do planeta (que deve ter este nome por um bom motivo), aqueles pontos luminosos no breu, que um dia te contaram que eram estrelas, tendo a certeza agora, de que o mundo é uma máfia de conspirações, e construído sobre falsos alicerces de enganações e mentiras, e que você descobriu e viu, sentindo aquela vontade louca de se jogar?!
Não há como negar, não há sentimento mais revolucionário que esse.
A gravura Flammarion (1888), representando um viajante que conseguiu chegar ao limite da Terra Plana e espreita através do firmamento.
Apesar do alerta de que se você olha demais para dentro do abismo, o abismo olha de volta para dentro de você, o medo nunca parou os desbravadores. Não têm mais receios de ceder à pulsão de morte daquele que se joga do precipício para escapar da vertigem. Torna-te quem tu és, você grita para si mesmo, e encara o desafio.
Mas agora está só e sabe demais.
Atravessa desesperadamente pontes e rodovias retilíneas, fugindo da noite de si mesmo porque não acredita na cegueira de todos ao redor, que não veem o que se vê, e podem ser perigosos. A cavalgada será longa, e apenas aos primeiros sinais da aurora, se você focar precisamente a visão por sobre o mar calmo e plano, é que poderá ter a certeza de que o horizonte não é o que todos pensam, e certamente mais longínquo do que costumam dizer.
Finalmente encontra outros(os) com coragem para enxergar. Considera algumas ideias da confraria uma bobagem, mas prefere manter a mente aberta para ir além. Até que alguns dos mais brilhantes lhe mostram fatos e provas, empíricas; e são justamente algumas delas que iremos revelar agora. Indiferentes ao desdém de comunistas, indígenas, capitalistas, cientistas, e outros incrédulos comedores de fast food.
Nossa aventura começa em um foguete lançado nos USA, no deserto de Nevada em 2014, com uma câmera acoplada para uma mera campanha publicitária. Porém ao atingir 120 km de altitude ele se choca no “Firmamento”, provando definitivamente que existe mesmo o Domo celestial. Sem falar que a lua é avistada nas imagens lá no final do outro lado do planeta – mas como isto seria possível se não fosse plano?
Como de costume, ateus fanáticos e acomodados irão dizer que era para o foguete ter explodido junto com a câmera caso tivesse se chocado ao domo, e ainda que é possível ver a curvatura da Terra redonda nas imagens da câmera caindo. Dirão também que a lua está onde deveria mesmo, já que é um satélite natural cuja órbita circunda o planeta, não emite luz própria, e só pode ser vista graças à reflexão da luz do sol.
Neste ambiente de trevas do pensamento recorremos à luz de visionários que só podem ter nascido para aliviar o ocaso da verdade implantado no mundo pela ciência moderna.
O Facebook “Terra Plana Brasil“, muito provavelmente dos organizadores do Congresso da Terra Plana (FLAT CON – Brasil 2019) realizado dia 10/11/2019 em São Paulo, que reuniu 400 pessoas em local secreto até um dia antes do evento (por medida de segurança), explica muito bem e com todas as letras a verdade visível e empírica – que suplanta as fábulas científicas.
Confiram o grau de lucidez destas palavras publicadas quase um mês após o bendito congresso com cem por cento dos palestrantes masculinos:
“A Terra é um círculo plano e estacionário recoberto por uma sólida cúpula, o firmamento, suportado por colunas cósmicas cujas fundações penetram, além da superfície terrestre horizontal, no abismo caótico e infernal, sendo este uma verdadeira antípoda do céu, acima do qual se agita o oceano celestial primordial.
Os ‘planetas’ nada mais são do que estrelas errantes, que ao contrário das demais estrelas, não mantêm suas distâncias relativas constantes e apresentam órbita irregular intermitente vinculada ao Sol, hora progressiva, hora retrógrada. As estrelas nada mais são do que discos imateriais, luminosos e transparentes. O Sol e a Lua são dois luminares eletromagnéticos antagonistas que se complementam, atuando como verdadeiros e próprios relógios cósmicos, litúrgicos para as estações do ano, determinando o tempo, os dias, os meses e os anos, instituindo a separação entre dia e noite e sendo responsáveis diretos pelo ritmo circadiano. O circuito do Sol demora 24 horas para completar o trajeto completo sobre o círculo da Terra (360°), percorrendo 15° por hora, sendo a Lua mais ‘lenta’, demorando 24 horas e 50 minutos para dar uma volta completa sobre o círculo terrestre, percorrendo 14,5° por hora. A Lua, ao contrário do que o sistema nos ensinou, não é uma ‘bola rochosa’ nem um satélite natural da Terra. É um luminar, ou seja, um corpo negro que capta a energia solar, a transforma e gera sua própria luminescência , onde sua luz possui características totalmente divergentes da luz do Sol, sendo úmida, fria e putrefata, em contraposição à luz emitida pelo Sol, que é seca, quente e antisséptica. A Antártida não é um ‘continente’ e sim a borda que margeia o círculo terrestre. O nosso Universo é baseado no eletromagnetismo, onde a materialidade é determinada através de energia expressa em padrões específicos de frequência e vibração.“. (TERRA PLANA BRASIL, 2019).
Após este texto belíssimo, que exalta as maravilhosas boas novas arquitetadas pelo Nosso Senhor, só podemos MOSTRAR um modelo disso tudo – onde o Sol deixou de ser o centro do sistema, e a Terra da humanidade de Deus se levanta para ocupar seu trono que lhe é devido por direito primogênito. As profecias se mostram reais para desespero dos cientistas ateus, e agora quem corre e se rebola ao redor da Terra são os astros Sol e Lua em devida deferência à condição divina da humanidade:
Modelo de demonstração aproximada dos movimentos do SOL e da LUA na Terra Plana.
São uns 8 minutos disso daí, talkey?! Vale a pena dar uns cliques para frente e ver para onde o SOL e a LUA vão se dirigir com o passar do ano – cujo caminho fica sempre entre (e nunca além) as indicações das linhas amarelas. Note que o modelo é tão perfeito que a Lua vai mostrando todas suas fases durante seu caminhar: nova, minguante, crescente, cheia, etc. E dá para vislumbrar até mesmo um eclipse em determinado momento em que quase se choca com o Sol.
Comparando com o modelo de Terra Redonda dos comunistas, aquela linha imaginária circular que está faltando seria o Equador; a Antártida seria o paredão de gelo circundando a Terra toda, para que o oceano não caia no espaço sideral; e as linhas amarelas indicam os trópicos de Câncer e de Capricórnio – definindo a zona (inter) tropical, que demarcam os limites “norte” (centro) e “sul” (beiradas) de até onde o Sol vai nos equinócios e solstícios.
Porém, diferentemente dos modelos pagãos (terra redonda), a realidade contém alguns detalhes que vocês não sabem. Nem sequer desconfiam. Mesmo já sabendo da existência do Domo, da Antártida circular, e da Terra como centro do universo. E eu lhes digo, futuros terraplanistas que optaram por abandonar a vida mundana da ciência corruptora da verdade:
O SOL E A LUA ESTÃO DENTRO DO DOMO!
E SÃO MUITO MENORES DO QUE VOCÊS SEQUER IMAGINARAM!
E AS ESTRELAS MATERIALMENTE NÃO EXISTEM!
SEM FALAR QUE TUDO ESTÁ DENTRO DO OCEANO CELESTIAL PRIMORDIAL.
Bom, se tiverem paciência assistam à Entrevista que o The Noite (programa de TV apropriado) fez com os organizadores do Congresso da Terra Plana (FLATCON – Brasil 2019) em São Paulo. Mas não precisa, pois explicaremos na sequência.
Entrevista com os Organizadores do FLATCON BRASIL 2019 pouco antes do congresso em 2019. Dá pra assistir. Mas se não tiverem paciência não precisa, pois será explicado na sequência.
Acompanhando as descobertas de nosso herói destemido, podemos ver no primeiro modelo acima (antes da entrevista) que o Sol e a Lua estão dentro do Domo celestial, e não fora dele como muitos pensam. Apesar de se movimentarem de forma parecida com o que propagam os “terraglobistas” em relação aos caminhos destes astros nas latitudes entre os trópicos (como vimos na animação no início), existem diferenças gritantes entre os dois modelos.
Enquanto a NASA e outros cientistas mentirosos iludem a humanidade pecadora com filmes e animações dignas de Hollywood afirmando serem reais (estes sim merecedores do Oscar), a verdade empírica é a seguinte: o Sol não possui 1,3 milhões de km de diâmetro (diâmetro 108 vezes maior que o da Terra), nem tampouco está a uns 150 milhões de km distante da superfície terrestre.
Tampouco a Lua é apenas quatro vezes menor que a Terra (com quase 3.500 km de diâmetro) e nem está a quase 400.000 km de distância como tentam nos fazer acreditar.
No neoterraplanismo o Sol e a Lua tem mais ou menos o mesmo diâmetro, bem pequenininho: apenas 51,5 km (tipo de Vitória a Guarapari-ES) e não estão a milhões de km da Terra, mas apenas 5 mil km de altitude – variando um pouco de vez em quando. […]
Porém, neste exato momento da apresentação de suas descobertas, nossa entrevista junto a este jovem mancebo terraplanista foi interrompida por gritos e um barulho assustador de coisas quebrando.
A confusão vinha de um dos quartos que estava com a porta fechada quando chegamos. De lá saiu um senhor idoso com um bigode respeitável, que não estava nada feliz com o que fazíamos ali. Era o avô de nosso entrevistado.
Ele veio entrando na sala resmungando e andando devagar, apoiado numa bengala e arrastando uma das pernas – exalava um cheiro estranho. Parecia bem nervoso com alguma coisa, ao ponto de sua boca borbulhar como uma chaleira em ebulição. Figura realmente amedrontadora ainda mais com o silêncio que se impôs no ambiente.
Para tentar quebrar o gelo, cumprimentei-o estendendo a mão, que desconsiderou:
– Boa noite, senhor! Espero não estar incomodando. Estamos fazendo uma entrevista com seu neto. As descobertas e ideias dele sobre o planeta e o universo são muito impressionantes. Eu trabalho para um site da internet, meu nome é…
– TUDO MENTIRA!…. TUDO BOBAGEM DESSE CABRA SAFADO, CARCAMANO… que só quer ganhar dinheiro e fama enganando os outros… eu não saí da caatinga para virar geógrafo e me tornar quem eu sou para criar um abobalhado inútil e mentiroso como este! – disse ele me interrompendo aos gritos e continuou – ele não sabe de nada!
Após alguns minutos de conversa com aquele ser grotesco e bem rabugento, a situação foi se acalmando, e confesso que até comecei a gostar da criatura.
– E como é o nome do senhor? Posso entrevistá-lo também? – Niti. – Como? – Niti! – Nietzsche mesmo?…rs. Como se escreve? – Ôxe, Niti!… N-I-T-I…. Niti, porra! Você é burro? É Niti mesmo… – Ah tá, desculpa!
Ele me contou que nasceu no sertão nordestino, numa família bem humilde, e que foi para a cidade grande ainda criança no “pau de arara” e conseguiu se formar doutor em geografia. Não economizava insultos ao nosso entrevistado que permanecia funebremente calado, parecendo estar bem constrangido com a situação.
O Sr. Niti reclamou repetidamente que deveria ter sido mais rigoroso na educação geográfica do seu neto após a morte do pai, mas que ficava com dó do menino.
Contou orgulhoso que seu próprio pai havia sido do bando de Virgulino Lampião e Maria Bonita, e que lutavam contra a construção da Ferrovia do governo.
Disse que hoje consegue entender melhor a situação dos cangaceiros, com seus códigos de honra e de conduta rigorosos e violentos – mas principalmente o conhecimento geográfico que tinham, e que hoje em dia às vezes é difícil de se encontrar até mesmo nos grandes centros urbanos.
Eles já sabiam naquele tempo e naquele espaço que o rompimento do isolamento com a construção da ferrovia iria trazer prejuízo para o povo do sertão. Dizia ele:
– A construção da ferrovia, este rompimento de nosso isolamento em relação à cidade grande, o facilitamento do acesso, ao contrário de injetar desenvolvimento nas vilas como normalmente se acredita, funcionou justamente ao contrário como podemos comprovar agora… a ferrovia, este romper de isolamento, foi só pra sugar. Tipo esse meu xará que você citou aí, que costumava dizer: “o forte só se aproxima do fraco para dominar”... – disse Seu Nite, e ainda completou – e meu pai e Lampião já sabiam disso!
Contou ainda que seu pai na época, novinho, logo que entrou para o cangaço acompanhou Lampião num encontro com Padre Cícero (Padim Pade Ciço), que representando o governo lhe ofereceu fardas, armas e dinheiro para que seu bando perseguisse a Coluna Prestes – movimento revolucionário (de militares) contra o governo da ditadura, que percorria o sertão nordestino da época mobilizando os trabalhadores do campo e tentando construir a revolução.
Recebeu as fardas, as armas, munição, e o dinheiro. Deu as costas, foi embora, e jamais perseguiu coluna nenhuma.
Niti parecia se divertir muito com esta história toda.
Agora que o Sr. Niti estava mais tranquilo, e apresentado, tentei voltar à entrevista inicial com nosso terraplanista querido.
Ao ouvir este termo (terraplanista ou querido, não sei ao certo), Seu Niti deu um pulo da cadeira nervoso, e começou a falar afobado sobre Eratóstenes de Cirene, que foi geógrafo, matemático, gramático, poeta, bibliotecário e astrônomo da Grécia Antiga – que alguns digital influencers chamam simples e pejorativamente de ‘bibliotecário’.
Contou que uns 200 anos a.C. (antes de Cristo) ele tentou calcular a circunferência da Terra, pois já se sabia que era redonda, e além de provar isto mais uma vez, acertou quase na mosca sobre a circunferência: 40.000 km, mais ou menos como nos explica o norte-americano Carl Sagan (cientista, físico, biólogo, astrônomo, cosmólogo, escritor, divulgador científico e ativista) neste vídeo curtinho:
Carl Sagan explica como Eratóstenes de Cirene (276 a.C. – 194 a.C.) provou novamente que a Terra é redonda e mediu sua circunferência de forma inacreditável.
De repente nosso vídeo é interrompido pela campainha.
Era o professor de filosofia de nosso jovem mancebo, que seu avô Niti odiava ao ponto de ao ouvir sua voz deixar o copo de cachaça da boa cair no tapete. Na verdade este professor era uma espécie de guru do rapaz, era muito famoso, e o reconheci de algum lugar da internet quando entrou, mas não sabia direito de onde.
Claro, era ele! O grande Malinoviski de Carvalho! Como pude me confundir???
Ele tinha vindo entregar a seu orientando um pacote com provas que aplicou em seus alunos.
Alunos virtuais, de seu site de internet pago, onde oferece cursos inigualáveis e muito importantes para a humanidade. Obviamente ele não acredita em universidades federais nem nas fábulas científicas da atualidade.
Na verdade seu espírito corpulento e destruidor de paradigmas não permite que sua consciência se renda nem mesmo ao primeiro grau. Já havia sido astrólogo, astrônomo, filósofo, médium, cartomante, babalorixá, massoterapeuta, psicólogo e coach. Agora prefere construir seu próprio caminho sem interferências de quem não entende nada.
Não pude captar direito o que conversaram na entrada pois cochichavam algum assunto sério. Só o vi entregando um pen-drive ao pupilo junto com o pacote de provas e mandando que ele não se demorasse tanto nas correções desta vez.
Após as formalidades e devidas apresentações e cumprimentos, o Malinoviski de Carvalho sentou-se à mesa conosco. Havia trazido um vinho. Mas Niti preferiu beber cachaça mesmo.
Ao implicar com ele sobre isto, respondeu que “o que não me mata engorda”. Apesar de meio seco, fiquei impressionado como Niti se comportou bem (ao menos num sentido geral) diante uma pessoa que lhe causava tamanha e visível repugnância.
Mas não demorou muito para o tema da entrevista causar uma intensa balbúrdia na mesa.
Malinoviski de Carvalho disse que o Sol é quem circulava a Terra, e que ele e a Lua eram pequenos, do mesmo tamanho, e estavam a apenas 5 mil km de altura dentro do Domo celestial (e não a 150 milhões de km que afirmavam os amantes da “terra-bola”).
Niti ouvia tudo com a mão sobre os olhos, quieto, tentando ter paciência. Até que o Malinoviski falou que as Estrelas não possuíam matéria, e que não passavam de “luminares”, fontes de luz própria sem matéria, “corpos negros” que captavam a energia solar e a transformavam para gerar sua própria luminescência.
Ou que poderiam até mesmo ser pinturas luminosas ou buracos no próprio Domo, caso este seja opaco.
E foi quando Niti não aguentou e deu mais um salto, em uma pirueta como se fosse um malabarista bufão na corda bamba desapareceu para dentro de seu quarto, e voltou com um tablet já ligado e passando o seguinte vídeo:
Niti achou que estava claro que na formação das Estrelas, devido à tamanha pressão e temperatura, os núcleos dos átomos são alterados – onde os de hidrogênio (o mais comum do universo, que constitui 75% da massa de toda matéria e representa 93% dos átomos de todo o cosmo) se transformam em átomos de hélio + energia (fótons = luz) + partículas (matéria) – que é quando finalmente nasce uma estrela. E que por processo de fusão entre si mesmos formam todos os elementos químicos ou físicos existentes, ou seja, até o carbono: a matéria prima de todos os compostos da vida.
Mas aí quem se estressou foi o Malinoviski de Carvalho, que já saiu gritando e perguntando espalhafatoso sobre a mesa: mas vocês viram aqueles garotos geniais no The Noite? Aqueles que fizeram aquele congresso… Pois é, eles são um pouco radicais, mas estão no caminho certo!…
Quando eu vi que Niti estava pegando ar para soltar aquela bomba, tive de fazer alguma coisa.
O tempo parou. A coisa estava perigosa. Eu fui vendo em câmera lenta, aterrorizado, tudo o que iria acontecer no futuro, e o porradeiro que poderia muito bem rolar entre aqueles dois senhores.
Sabe então qual foi a minha “brilhante” ideia??? Perguntar doce e gentilmente:
– Gente, mas e se a Terra fosse mesmo plana?
Assim que eu falei isso a rotação da Terra disparou.
Os dois furiosos que até agora só queriam matar um ao outro, gritaram em uníssono com os punhos cerrados para os céus: – NÃÃÃÃÃÕÕOOO!!!
Ninguém naquela sala podia acreditar que eu tinha dito uma merda daquele tamanho.
Até a porra do pupilo que parecia me respeitar bastante, estava olhando pra mim com uma cara de nojo, misturado com inacreditável e com um “porra meu irmão”.
Numa frase só, de 9 palavras, eu consegui gerar um ódio naquele ambiente que até eu tinha parado de sorrir pra mim.
Pensa bem, quando eu suponho que a Terra poderia ser considerada plana, Niti quase morre. Mas ao mesmo tempo, quando eu suponho que ela poderia não ser plana (se…) e ainda coloco na mesma frase o “fosse…” (de teria sido), isto cria uma estrela de newtrons dentro do mais profundo rancor do ódio que habita o coração de nosso amigo Malinoviski.
Que situação.
Aí ficou todo mundo meio deprimido, o garoto terraplanista foi pegar uma cerveja, cada um se movia e produzia um barulhinho diferente olhando em volta para o nada, se espreguiçando, mas o tempo fazia questão de não passar nem um segundo.
Ficou aquele silêncio. Até que Niti se inclinou, pegou na minha perna, e disse calmamente: tá bom, filho da puta, vamos fazer este exercício mental só pra ver até aonde você guenta ir nessa corda bamba entre o animal e o superhomem. Niti já tava meio bêbado.
Eu relevei o terror que estava sentindo. Era a hora de tentar trazer mais calma e racionalidade ao debate, mas por causa da cerveja, da cachaça e do vinho, meu cérebro era uma paçoca de amendoim.
Quando do nada me surge na memória o geofísico James Davis, da Universidade de Columbia, em Nova York, membro do Observatório Terrestre Lamont-Doherty. Ele idealizou um cenário de como seria a Terra se ela fosse de fato plana, tendo como base os pressupostos dos terraplanistas.
Para fugir do constrangimento, agora eu que fui lá pegar uma cerveja. Mas o texto que o James Davis publicou na BBC News não saía da minha cabeça.
Quem acredita que a Terra tem a forma de um disco parte do pressuposto de que a gravidade exerceria sua força diretamente para baixo, mas não é assim que funciona esse fenômeno. Davis esclarece que, segundo o que sabemos sobre a força gravitacional, ela puxa tudo para o centro [e não para baixo exatamente]. (BBC News).
Então, quanto mais longe do centro do disco, mais a gravidade puxaria as coisas horizontalmente. Isso teria efeitos estranhos, como sugar toda a água do mundo para o centro do disco, e fazer com que árvores e outras plantas crescessem diagonalmente, já que elas se desenvolvem na direção oposta à da gravidade. (BBC News).
[Neste ponto, me desculpe James Davis e BBC pela petulância, afinal quem sou eu pra falar disso, um mero narrador (nem nome eu tenho), mas meus amendoins estão meio agitados e naufragados no álcool, e me parece que a Luz do Sol tem mais a ver com este caso das plantas que vocês comentaram. Segundo me consta o crescimento das plantas seguem a luz e não o inverso da gravidade. – (silêncio…) …mas continuem, desculpem, faz de conta que eu só espirei…].
Caminhar também seria uma tarefa complicada, com uma força que nos empurraria rumo ao centro quando tentássemos chegar à borda do disco. Seria como subir uma encosta muito inclinada. (BBC News).
O modelo de Sistema Solar que prevalece hoje [na Ciência] situa o Sol no centro deste conjunto [centro do sistema solar, e não de todo o universo], onde a Terra circula ao redor da estrela – graças a uma órbita que nos aproxima e nos distancia desse astro de acordo com a época do ano. (BBC News).
Os planetas do Sistema Solar giram ao redor do Sol atraídos por sua gravidade. (Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption | Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42953688)
Já os terraplanistas colocam a Terra no centro do Universo [quem dirá do sistema solar], onde o Sol opera como uma lâmpada que irradia luz e calor de lado a outro do planeta, mas não falam de uma órbita [da Terra]. (BBC News).
Movimento do Sol sobre a TERRA PLANA Segundo os terraplanistas seria o Sol que giraria sobre a Terra Plana, e não a Terra Redonda que gira em torno do Sol. E ainda dizem que o Astro Rei seria bem pequenininho (uns 50km de diâmetro apenas), tipo de Vitória a Guarapari (ES), e estaria pertinho da superfície terrestre. (Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=OXkWFS7PLUc)
Davis acredita que [segundo a ciência], sem essa órbita [da Terra] ou a força gravitacional do Sol [que prende a Terra à ele], nada impediria que o planeta fosse expelido para fora do Sistema Solar. (BBC News).
Uma Terra Plana teria outra incongruência. Se o Sol e a Lua circulam sobre o planeta [ao invés da Terra circular o Sol], seria possível haver dias e noites, mas não as estações, eclipses e outros fenômenos astronômicos que dependem do formato esférico da Terra [e da posição e tamanho de cada um]. (BBC News).
Além disso, o Sol teria que ser menor do que a Terra, caso contrário poderia nos queimar ou cair sobre nós. Davis destaca, no entanto, haver medições [científicas] suficientes que mostram que o Sol tem mais de 100 vezes o diâmetro da Terra. (BBC News).
Reprodução e adaptação [nossa] de cena do Vídeo “DO QUE SÃO FEITAS AS ESTRELAS?” de Cornelia Borrmann (2019), utilizando imagens do Hubble fornecidas pela NASA, publicado pelo site do jornal alemão Deutsche Welle (DW). (Fonte: https://p.dw.com/p/3TOSR)
As leis da física que conhecemos hoje em dia estabelecem que o núcleo da Terra gera seu campo magnético. (BBC News).
As belas auroras boreais são produzidas quando o vento solar se choca com o campo magnético da Terra (Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption | Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42953688)
Em um planeta plano, segundo os defensores desse modelo, esse campo não existe. Sendo assim, diz o especialista, não haveria uma atmosfera, o que faria com que o ar e os mares fossem parar no espaço. É o que ocorreu em Marte quando o planeta perdeu seu campo magnético. (BBC News).
– Sério mesmo??! Eu saio um segundo pra pegar cerveja e quando volto Marte perdeu seu campo magnético e ainda da mesma forma que a Terra Plana??? (silêncio…). Me desculpem novamente, não está mais aqui quem falou… …você aceita mais um pouquinho? Por favor, pode continuar… (Depois dessa até Seu Niti deu uma risadinha).
O movimento das placas tectônicas e os movimentos sísmicos são explicados apenas com uma Terra redonda. “Só em uma esfera as placas se encaixam de uma forma sensata”, diz Davis.
Os movimentos das placas de um lado da Terra afetam os movimentos no outro lado. As áreas da Terra que criam formações para cima da crosta terrestre, como a Cordilheira dos Andes, são contrabalanceadas por outras que formam depressões, como os vales. (BBC News).
Nada disso seria explicado adequadamente com uma Terra plana. Não seria possível entender por que existem montanhas ou terremotos.(BBC News).
As cordilheiras e muitos outros fenômenos geofísicos, como os vulcões, são produzidos por movimentos das placas tectônicas (na Terra Redonda). (Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption | Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42953688)
Também teria de haver uma explicação para o que acontece com as placas na borda do mundo. Poderíamos imaginar que elas cairiam, mas os terraplanistas defendem que existe um “muro de gelo” na borda, criado pela Antártida, algo muito difícil de acreditar, opina Davis. (BBC News).
Para concluir, diz o especialista, se vivêssemos em uma Terra plana, não teríamos nenhuma dúvida disso, porque tudo seria muito diferente de como conhecemos hoje. (BBC News).
E aê, pessoal, tá todo mundo bem? Eu fui pegar cerveja e tive uns insights, mas acho que deixa pra lá… Quem quer achar que a Terra é plana, acha… quem quer achar que a Terra é redonda, acha também… vamos nos ligar no mais importante. Vamos parar de brigar.
Eu só acho que enquanto vocês quase se matam aí, por causa de bobagem de política… no caso, terra plana ou terra redonda… “Eles” (fazendo gestos de aspas com os dedinhos) estão é ganhando muito dinheiro e vocês aí nessa… kkkkkkk
Pois olha só… eu tô bêbado, mas não sou maluco!
Olha o que um dos caras mais famosos da Terra Plana falaram sobre isso, não sei se foi naquele tal de congresso que falamos antes e tals, ou em outro lugar…. Me digam o que vocês acharam sobre estas falas, para nossa entrevista:
A Terra é plana porque é uma simulação – Mark Sargent [uma das celebridades terraplanistas] diz que a grande maioria dos programadores [de software? de vídeo? de animação??? vá saber…] criam projetos planos, dada a dificuldade de lidar com geometria. Na hipótese de a Terra ser uma simulação, ela seria plana porque os programadores são preguiçosos demais para criar curvas e torná-la redonda.
[Nem eu bêbado diria algo assim….. mas desculpa.. glup… continuando…]
Mark Sargent – um dos terraplanistas mais famosos.
Teoria da Terra plana deveria ser ensinada em escolas – [o mesmo terraplanista] Sargent afirma que a teoria está quase em ponto de massa crítica e será ensinada em breve em escolas em todo o mundo. “A ciência vai ter que reconhecer isso. Eles não podem se esquivar de nós para sempre”, disse.
[Eu to quietinho aqui… falei nada… para de olhar pra mim…rs]
Elon Musk é um mentiroso – O CEO da Tesla e da SpaceX (empresa do ramo aeroespacial) foi citado em uma pergunta da plateia: o que acontecerá quando os foguetes de Musk decolarem? Eles vão bater na redoma que fica em volta da Terra e explodir ou voarão ao seu lado? A resposta de Sargent foi direta – e pouco educada. “Tudo que Musk diz é mentira”, disse, antes de fazer comentários mais agressivos.
[Agora eu vou falar… Não que eu queira puxar sardinha pra um dos lados, mas se vocês acham terraplanistas doidos, têm de conhecer esse tal de Elon Musk. Ele é capaz de fazer vocês dois ficarem amigos, pelo ódio em comum que irão nutrir pelas ideias da criança…]
Niti, que já estava aturando mais do que costume, resolveu falar:
– Sobre as pessoas que acreditam que a Terra é plana, na verdade admito a culpa da própria ciência, ao menos dos próprios cientistas que compõe o mercado educacional, por gerar este tipo de obscenidade. “Elas são uma falha profunda do nosso sistema educacional. A forma como ensinamos a ciência é assim: você é um receptáculo vazio no qual despejamos conhecimentos científicos e você regurgita isso em uma prova. A ciência é um forma de pensar. É uma forma de entender e provar as operações da natureza” (TYSON apud EXAME apud ABRIL apud NITI).
Nesse momento percebi o jovem terraplanista ficando meio travado e constrangido, tentando esconder o pacote de provas que Malinoviski o entregou, e olhando para seu Guru, que desviava o olhar sutilmente olhando pra cima como quem quer disfarçar alguma coisa. Mas os dois ficaram em silêncio.
Notando este silêncio meio constrangedor e como ninguém se opôs ao que havia dito, Seu Niti continuou.
Pegou o tablet na mesa, digitou alguma coisa, e mostrando algumas imagens perguntou:
– É isso aqui que vocês acham que é o Universo?
E passou para o lado algumas fotos:
Elephants and turtle holding flat earth. Engraving vintage color vector illustration. Isolated on white background. Hand drawn design element for label and poster
Niti continuou: – Pois saibam que este tipo de pensamento de terra plana nem é nada original: Uma das mais antigas concepções sobre a forma da Terra foi a dos hindus. Eles a imaginavam como a metade de uma esfera, sustentada por elefantes. Tudo – o hemisfério e os paquidermes – eram carregados nas costas de uma enorme tartaruga, o que explicava o movimento do planeta pelos caminhos do céu. (Fonte: Terra / UOL).
Quando Malinoviski de Carvalho, ajeitando seus óculos de lentes grossas para ver as fotos mostradas, terminou de ouvir o que Seu Niti disse, já meio alterado e ofendido, se emputeceu de vez e começou a gritar: – Você não presta, nunca prestou! Aposto que só pode ser comunista! Você, essa turminha da universidade, Bonner, Moro, Rede Globo, STF, e aquela cambada de cientistas maconheiros da Nasa, só podem ser comunistas! Vocês afundaram o país!
Niti retrucou: – Mas cara, eu só falei que os hindus foram os primeiros a achar que Terra era plana…
Foi interrompido por Malinoviski iradíssimo, que não parava de gritar: – (…) vocês e aquela turminha do PT…
TRRRRROOOMMMMM….
Neste exato momento ouviu-se um tremendo estrondo, tipo uma explosão metálica lá fora, bem alta. E todas as luzes se apagaram. Escuridão total! E ainda se escutavam uns estalos de faíscas parecendo curto-circuito, choque, fogo, coisas de filme assim.
O susto fez Malinoviski se calar, ainda estando com o corpo por cima da mesa e com o dedo apontando para Niti, mas ao menos tinha parado de babar e cuspir. Estava um breu total. E se fez silêncio.
Niti ascendeu um isqueiro e todos o seguiram com a luz nas mãos até a janela para ver o que se passava lá fora.
Quando abriu a janela perceberam que tinha sido um transformador no poste de energia que havia explodido. Ainda caíam faíscas coloridas na rua em frente. E no mínimo o bairro inteiro estava completamente apagado.
O único que não se levantou até a janela foi o jovem mancebo.
Não sei bem se pelo fato de ser muito moço e tímido, ou de estar completamente alcoolizado como os demais, ou se por estar há muito tempo quieto e parecendo constrangido, mas o fato é que ele se manteve imóvel, parado, sentado ali mesmo. Até que disse, como que falando para si mesmo e olhando para o além:
– É o Eclipse!
Nós três nos olhamos numa incógnita sem entender nada, e depois olhamos para ele, que continuou em seu transe naquela penumbra, onde podia-se enxergar muito pouco: – Pois é… Ninguém acredita en las Brujas, mas elas existem… – Agora eu quero ver os pecadores… encherem o peito pra destilar suas mentiras… tiram a maior onda com citações de outros mentirosos a quem chamam de “pensadores”… háháhá!!!… agora eu quero ver… – O Eclipse chegou… é agora… Sangue de G-suis tem poder!….
Sem entender nada, Niti desconsiderou e foi tratando de acender umas velas que pegou numa gaveta. Até que Malinoviski perguntou: – Hoje tem Eclipse mesmo?
Eu respondi que realmente havia visto e compartilhado um post nas redes sociais que dizia algo sobre o assunto, mas que não havia lido a matéria. Na verdade não havia nem clicado nela. Mas que podia ser hoje sim.
Malinóviski de Carvalho se animou. Perguntou em seguida: – Gente, bora lá praia? É pertinho, 2 quadras! A gente podia terminar de tomar lá este vinho especial que eu trouxe… Nesse breu, aproveitar a escuridão da cidade para enxergar melhor o céu… A lua com eclipse vai estar enorme!
Olhei para Niti, que já estava dando de ombros, e praticamente li o pensamento sarcastico dele pela cara que fez para a proposta: “Lua enorme? Aquela que só teria uns 50 km de diâmetro, que só vai de Vitória até Guarapari???”.
Mas ele não falou nada, e acabamos indo para a praia mesmo ver o eclipse em meio ao blackout.
A lanterna de Niti que iluminava o caminho e guiava todos até a praia não era muito usual. Estava mais para uma lamparina ou candieiro. Ele ainda falou alguma coisa sobre fogo, humanidade e Prometeu (Deus Grego), mas nem deu pra ouvir direito. Seu Niti tava pra lá de bêbado mesmo.
Enquanto ele e o jovem mancebo iam na frente, eu fui tentando manter um diálogo com o Malinóviski de Carvalho. Todo mundo com certeza já estava bem alto àquela hora.
Após Malinóviski falar quase o caminho todo sobre a ameaça comunista, tentei mudar de assunto perguntando se seria querosene que alimentava a chama de Niti, e foi quando ele me confessou uma coisa:
– Você está preocupado com que combustível mantém a chama de Niti acesa??? – disse isso e enigmaticamente se pocou de rir.
– Acho que você deveria se preocupar era com outros líquidos misteriosos… tipo este que você está segurando na garrafa de meu vinho em suas mãos….. kkkkkkkkkkkk.
Foi quando eu gelei. Comecei a perceber que realmente o que eu estava vendo e sentindo não era apenas efeito de álcool. Até que ele confessou que havia batizado o vinho que trouxe com um pouco de “Chá de Fita Chromo”.
Antiga fita cassete de chromo.
Eu comecei a passar mal e me desesperei, pois já havia ouvido falar disso na infância, mas achei mesmo que não passava de uma lenda urbana. E lembro que esta lenda sempre foi uma piada entre os amigos, tamanha a loucura, já que um chá de fita chromo obviamente intoxicaria a pessoa com metais pesados, dando onda ou não, e poderia até matar ou desenvolver um câncer, sei lá.
Fiquei muito puto com Malinoviski, mesmo ele tendo dito que era seguro e que todos seus alunos tomavam constantemente, como pré-requisito para suas aulas.
Joguei a garrafa longe no terreno baldio, mas todo mundo já havia bebido quase tudo. O guru maluco correu atrás da garrafa no meio do mato, e eu adiantei meu passo pra falar com gente menos doida ali na frente.
Alcancei o jovem terraplanista e o Seu Niti quando eles já estavam parados e boquiabertos em frente ao mar, logo no início da praia.
O jovem mancebo logo deitou na areia e dormiu, completamente chapado.
Niti estava petrificado, parado ali olhando aquela paisagem surreal. Havia na cena a areia da praia indo até o mar, que estava calmo e reto como um plano azul e tranquilo, com a luz prateada da lua refletida em suas águas lisinhas, e no céu uma imagem que realmente eu nunca tinha visto e não dava pra acreditar.
Quando eu cheguei neles correndo, sem ter percebido nada ao redor ainda, o Seu Niti estava tremendo. Parado ali de frente ao mar, olhando pra cima, e tremendo. Não dizia uma palavra, a não ser: Puta quil Pariu. Ficava em silêncio e voltava a repetir: puta quil pariu!
Contando assim parece meio estranho, mas só então, lá pro terceiro puta quil pariu, que eu olhei pra cima e comecei a ver…
A paisagem era bonita, o mar estava tranquilo, o jovem mancebo já vomitava deitado na areia, o Seu Niti novamente com comportamento bastante assustador, e parecendo perplexo e aterrorizado.
Até que eu acho que finalmente olhei pra cima.
E vi o que Niti estava vendo.
O Eclipse!
NÃO era como os eclipses e outros fenômenos comuns que vemos na Lua de vez em quando, como as imagens abaixo:
Entretanto, o que me assustou mesmo foi o que Niti falou. Bom, talvez foi a forma com que falou. Mas por eu achar que ele era ateu, me soou bem forte, espontâneo, e preocupante.
Ele disse:
– Meu Deus!
E então finalmente eu vi a cena surreal que gerava tanta balbúrdia interna naquela cabeça dura, inteligente e de certa forma graciosa, daquele velho maluco e rabugento, porém cativante se comparado ao seu arqui-inimigo Malinoviski de Carvalho (que ainda estava lá no meio das mamonas procurando a garrafa):
Eclipse Lunar visto da TERRA PLANA.
Então Niti disse consternado: – Puta quil pariu, a Terra é mesmo plana… – Onde é que eu estou? Quem são vocês? Pra quem você trabalha? Como me trouxeram pra cá? Por que estão fazendo isso comigo? Que porra é essa???
Eu via com meus próprios olhos e também não conseguia acreditar.
Com o passar da noite, Malinoviski já tinha voltado com a garrafa, já estava todo mundo louco, e ninguém se importava muito mais com o que estava rolando no céu.
O eclipse surreal ainda se metamorfoseou algumas vezes naquela noite:
Diferentes fases de Eclipse Lunar vistos da TERRA PLANA.
O único que ainda estava incomodado, para se dizer o mínimo, e estava mesmo parecendo muito preocupado, era Niti.
Ele ficava sentado ali ao nosso lado, todas aquelas horas olhando o mar e o eclipse. Usando toda a sua inteligência e sagacidade, tentando entender como havia ido parar ali. Depois de tanto estudo, tanta precaução, tanta observância e auto-análise, como havia de ter ido parar justamente logo na terra plana?
Olhando vidrado para frente, resmungava coisas para dentro de si, como se fosse um rádio para a humanidade, tais como: Não venham! Saiam daqui. Não cruzem a fronteira. Desconfio que não há mais volta. Continuem sem mim. Salvem-se a todos! Não sucumbam a si mesmos. Remem para a luz!
É, o conhecia pouco, mas dava pra ver que Niti tava bêbado mesmo!
Vendo seu sofrimento intelectual, e sua disputa eterna com Malinoviski, até pensei em avisa-lo que o vinho estava batizado com chá de fita chromo. Mas desisti.
O crepúsculo nem vimos. A aurora estava quase chegando. E foi quando uma imagem arrebatadora se formou no céu diante os olhos de todos que provaram do que oferecia Malinóviski de Carvalho – o eclipse derradeiro da Terra Plana:
Fase do Eclipse Lunar derradeiro visto da TERRA PLANA.
Esta foi a gota d’água para Niti.
Alguém que estava tão acostumado a lidar com o caos dos sentidos, a ruminar e a pensar com o estômago, que poderia digerir o que fariam outros vomitar, agora estava nauseado. Praticamente um Dionísio arrependido. Não estava nada bem.
Mas como já vinha surgindo a aurora, e o sol já despontava a leste, estava na hora era de ir para casa. Desisti de contar pro Niti que o vinho estava batizado, e que amanhã ele aterrizava em casa com segurança. Tinha medo do que ele poderia fazer com Malinóviski se soubesse disso agora.
Me despedi carinhosamente de cada um e larguei aquele bando de doido ali na terra plana mesmo.
Só fiquei triste porque quando liguei para eles no outro dia, ninguém me atendeu o telefone, e ainda tinham de me explicar do que se tratava a Teoria da TERRA OCA, onde encontramosAGHARTA – A terra das civilizações avançadas, nossa próxima aventura:
AGHARTA – A terra das civilizações avançadas, localizada no interior da TERRA OCA.
Se preparem, pois esta viagem será uma expedição. E promete!
Obrigado por viajarem conosco aos confins do Universo onde só a Agência Turismo-Planográfico leva vocês.
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Mas atenção às letras miúdas.
Uma vez no destino a volta não é garantida e pode custar caro demais.
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As piores chagas da humanidade são causadas pela ganância capitalista que provoca a devastação ambiental – ou mudamos nossa mentalidade ou morreremos todos.
Parece manchete sensacionalista e exagerada, mas infelizmente não é. E não foi por falta de aviso de cientistas e dos ambientalistas.
O saudoso geógrafo e professor Dr. Jean-Louis Boudou (UFES) escreveu na apresentação de seu livro: Guia Geográfico Prático – de implantação de um programa permanente de conciliação entre Cidadania e Ambiente (2005), que não teve tempo de publicar por conta de seu falecimento:
“Desde 1982 Fritjof Capra chama a atenção sobre o fato que a Humanidade acabava de alcançar mais um “Ponto de Mutação”. Evidentemente, esta afirmação pode ser entendida de inúmeras maneiras e se aplica a um sem número de aspectos, mas o presente documento pretende focalizar apenas o tema do “pleno exercício da cidadania” frente a emergente preocupação ambiental e, assim, superar o impasse da pretensa dicotomia: abordagem “ambiental” versus abordagem “social”. Não devem ser contrapostas a corrente “ambientalista” e a corrente “socialista” (“ecossocialismo”); pelo contrário trata-se de uní-las na história da humanidade de maneira orgânica e profunda.
Não apenas uma conciliação é possível mas também é necessária e até mesmo impreterível. É urgentíssimo mudar de ponto de vista, eliminar os preconceitos, acabar com os MITOS e os RITOS e sem tabu, sem manipulação, sem ideologia, sem adestramento, sem programação, sem operações diversionistas… descobrir, ou redescobrir, o encantamento da “condição humana”.
Os problemas ambientais e os problemas sociais não são, fundamentalmente, problemas de biologia, de ecologia, de química… nem problemas de sociologia, de economia, de história… São problemas de “cabeça”, isto é, problema de enfoque, ou seja, de jeito de encarar o ser humano, o seu entorno e suporte, e as inter-relações tecidas entre ambos (“conexões”). (…)” [grifos nossos]. (BOUDOU, 2005 – texto ainda não publicado).
Em algum ponto mais adiante, Boudou (2005) ressalta:
“(…). Já é tarde demais; não se pode mais fugir das nossas responsabilidades, como cidadãos e como geógrafos. Basta de covardia; basta de belos discursos retóricos; basta de conforto acadêmico! É hora de assumir os desafios e nos comprometer com as dimensões sociais e ambientais (indissoluvelmente incorporadas umas às outras) do futuro da humanidade a bordo do nosso pequeno planeta. (…)” [grifo nosso]. (BOUDOU, 2005 – texto ainda não publicado).
PANDEMIA DE CORONAVIRUS (covid-19) E O MEIO AMBIENTE
HOJE, dia 18 de março de 2020, o jornal BRASIL DE FATO, publicou a matéria “Ação humana contra o meio ambiente causou a pandemia do coronavírus, diz pesquisador“, onde Allan Carlos Pscheidt, doutor em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente e professor das Faculdades Metropolitanas Unidas, em São Paulo, afirma categoricamente que “o novo coronavírus se alastrou pelo mundo graças à ação destrutiva e invasora do ser humano contra a natureza“.
“O organismo que causa a covid-19 está há tempos no meio ambiente, provavelmente alojado em morcegos nativos de cavernas intocadas, segundo o professor. Com a crescente urbanização e consequente invasão humana, porém, o vírus quebrou seu ciclo natural e alcançou outros seres, como o homem, cujo organismo ainda não está preparado para combatê-lo.
De acordo com o pesquisador, a pandemia deixa lições claras: precisamos nos preocupar urgentemente com o consumo desenfreado, a destruição recorrente do planeta e as mudanças climáticas. A disseminação do novo coronavírus é resultado direto disso.
Pscheidt alerta que, em um mundo interligado como o que vivemos hoje, epidemias virais devem se tornar cada vez mais comuns. Para ele, se não evoluirmos para uma sociedade mais consciente e menos egoísta, não teremos muito mais tempo por aqui. (…)”. (BRASIL DE FATO, 2020).
Quem quiser conferir a entrevista que se segue com o professor Pscheidt, clique aqui.
DESMATAMENTOS: NIPAH, LASSA, MALÁRIA e DOENÇA DE LYME
Floresta derrubada para fins pecuários nas bordas da Rodovia Transamazônica. O desmatamento visto nesta foto facilita a proliferação de doenças infecciosas, como a malária. FOTO DE RICHARD BARNES, NAT GEO IMAGE COLLECTION
Segundo ela, “Em 1997, nuvens de fumaça pairavam sobre as florestas tropicais da Indonésia após a queimada de uma área com tamanho aproximado ao do estado americano da Pensilvânia para expansão agrícola, queimada essa que ainda foi agravada pela seca na época. Sufocadas pela névoa, as árvores não davam frutos, forçando a população de morcegos frugívoros a voarem para outros locais em busca de alimento, levando consigo uma doença mortal.
Logo que os morcegos se assentaram nas árvores de pomares malaios, os porcos que lá habitavam começaram a adoecer — presume-se que depois de comerem frutas já mordiscadas pelos morcegos — assim como os suinocultores locais. Até 1999, 265 pessoas haviam desenvolvido uma grave inflamação cerebral, 105 delas vindo a óbito. Foi a primeira manifestação conhecida do vírus Nipah em humanos, que, desde então, vem causando uma série de surtos recorrentes em todo o sudeste asiático.
Ela é apenas uma dentre tantas doenças infecciosas que, antes confinadas à vida selvagem, agora se alastram para áreas que estão sendo rapidamente desmatadas. Nas últimas duas décadas, cada vez mais evidências científicas sugerem que o desmatamento, ao dar início a uma complexa cadeia de acontecimentos, cria condições para que se espalhe entre os humanos uma vasta gama de patógenos mortais — como os vírus Nipah e Lassa, e os parasitas causadores da malária e da doença de Lyme.
Com as amplas queimadas que ainda continuam nas florestas tropicais da região amazônica, assim como em partes da África e do sudeste asiático, especialistas expressam preocupação quanto à saúde de quem vive às margens do desmatamento. Eles também temem que [O DESMATAMENTO das] florestas do nosso planeta deem origem à próxima pandemia.
“Já é algo bem estabelecido que o desmatamento pode ser um grande fator de transmissão de doenças infecciosas”, diz Andy MacDonald, ecologista especializado em doenças do Instituto de Geociências da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. “Trata-se de um jogo numérico: quanto mais degradarmos e retirarmos os habitats florestais, mais expostos estaremos a situações de epidemias infecciosas.” (…)”. [grifo nosso]. (NATIONAL GEOGRAPHIC, 2019).
“A Borrelia burgdorferi, bactéria que causa a doença de Lyme, é transmitida por carrapatos que dependem do cervo florestal para se reproduzirem e obterem sangue suficiente à sua sobrevivência. A bactéria, contudo, também é encontrada no camundongo-de-patas-brancas, que, por acaso, prolifera-se nas florestas fragmentadas por assentamentos humanos, afirma MacDonald. (…)
(…). O ser humano pode contrair o vírus de Lassa ao entrar em contato com alimentos ou objetos contaminados por fezes ou urina de roedores portadores desse vírus ou com os fluidos corporais de pessoas infectadas. Nos humanos, o vírus causa febre hemorrágica — o mesmo tipo de enfermidade causada pelo vírus do Ebola —, tendo levado à morte 36% dos infectados na Libéria. (…)”. [grifo nosso]. (NATIONAL GEOGRAPHIC, 2019).
DESMATAMENTOS: NIPAH, HIV (Aids), EBOLA, e ZICAVÍRUS
Os mosquitos não são os únicos vetores capazes de transmitir doenças aos humanos. Na verdade 60% das novas doenças infecciosas manifestadas em seres humanos — como o HIV, o Ebola, Nipah, a agora o Coronavírus (covid-19), todas originadas em animais, a maioria graças ao contato por causa de grandes devastações ambientais.
Mas não adianta culpar os animais (como alguns assassinatos ignorantes de macacos no ES diante a Febre Amarela – crime inafiançável), que na verdade são vítimas da ação desmatadora humana, e muitas vezes são nossos aliados pois morrem antes, nos alertando e indicando a presença da doença (patógeno) no ambiente.
Ainda segundo a National Geographic, “(…) num estudo de 2015, pesquisadores da Ecohealth Alliance, organização sem fins lucrativos de Nova York que acompanha as doenças infecciosas no mundo todo, junto a outros pesquisadores, descobriram que “aproximadamente um em cada três surtos de doença(s) nova(s) e emergente(s) está ligado à mudança no uso da terra, como o desmatamento”, afirmou o presidente da organização, Peter Daszak, em tuíte publicado neste ano.
Muitos vírus habitam seus hospedeiros florestais de forma inócua, porque esses animais evoluíram junto com tais vírus. Os seres humanos, porém, podem transformar-se em hospedeiros involuntários de patógenos ao se aventurarem ou alterarem o habitat florestal. (…).
O alastramento de doenças infecciosas para os humanos é mais provável nos trópicos porque a diversidade geral da fauna e dos patógenos é maior, acrescenta. Nessas regiões, já se estabeleceu a relação entre o desmatamento e diversas doenças transmitidas por uma vasta gama de animais — desde insetos hematófagos a caracóis. Além das doenças conhecidas, os cientistas temem que diversas doenças mortais ainda desconhecidas estejam à espreita nas florestas, expostas com a invasão do homem. (…)
Vittor [Amy Vittor, epidemiologista do Instituto de Patógenos Emergentes da Universidade da Flórida] diz que, se essas doenças ficarão confinadas à periferia das florestas ou se conquistarão um espaço entre os humanos, desencadeando uma possível pandemia, tudo depende da transmissão. Alguns vírus, como o Ebola ou o Nipah, podem ser transmitidos diretamente entre humanos, o que teoricamente lhes permite viajar o mundo enquanto o homem existir.
O vírus da Zika, descoberto em florestas de Uganda no século 20, só pôde cruzar o mundo e infectar milhões de pessoas porque encontrou no Aedes aegpti, mosquito abundante em áreas urbanas, um hospedeiro.
“Não gosto de pensar que exista um ou mais patógenos capazes da mesma coisa, mas seríamos ingênuos se não nos prepararmos para essa possibilidade”, diz Vittor. (…)”. (NATIONAL GEOGRAPHIC, 2019).
Ao fim desta matéria, MacDonald arremata afirmando que o lado positivo que tem em mente é que: “Se conseguirmos conservar o meio ambiente, talvez possamos, de quebra, proteger a saúde”.
DESMATAMENTOS: GRIPE, SARAMPO, DENGUE, CHIKUNGUNYA e FEBRE AMARELA
Na matéria da coluna VIVA BEM (UOL e Agência Einstein) de 10/03/2020, na matéria Em tempos de coronavírus, não esqueça de gripe, sarampo e dengue, afirmam que “Para ter uma ideia, em 2019 foram cerca de 1 bilhão de casos de gripe no planeta, com 291 mil a 646 mil mortes. No Brasil, de acordo com informações preliminares do Ministério da Saúde, até 29 de fevereiro deste ano foram registrados 90 casos, com 6 mortes — em 2019, houve 5.714 casos e 1.109 óbitos. (…)
“(…) Outro problema para o qual existe vacina e que provocou surtos em vários países no ano passado, inclusive o Brasil, foi o sarampo. Um dos motivos foi a queda nas taxas de imunização, em parte estimuladas pelos grupos antivacina. Foram 18.203 casos confirmados entre nós, com 15 mortes, sendo 14 em São Paulo, onde houve uma irrupção com 16.090 ocorrências. Chegamos a perder o certificado de país livre da doença outorgado pela Opas (Organização Panamericana de Saúde) em 2016.
No quesito de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, a dengue, segundo o Ministério da Saúde, contabilizou 1.544.987 de casos prováveis no ano passado, aumento de 488% em relação a 2018, com 728 óbitos. As ocorrências de Chikungunya ficaram no patamar de 132.205 e as de Zika, 10.768.” (UOL, 2020).
Outra doença causada por mosquitos que pode levar à morte é a Febre Amarela (FA), que em tempos de Coronavírus, parece ter sido esquecida pela grande mídia. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil – Monitoramento da febre amarela – 2019/2020), publicado em 05/02/2020:
“No período de monitoramento atual (2019/2020), iniciado em julho/2019, foram notificados 1.277 eventos envolvendo a morte de macacos com suspeita de FA, das quais 46 epizootias foram confirmadas por critério laboratorial, 394 foram descartadas, 320 permanecem em investigação e 517 foram classificadas como indeterminadas, por não ter sido possível coletar amostras para diagnóstico (…). As detecções do vírus amarílico em PNH foram registradas em São Paulo (3), Paraná (41) e Santa Catarina (2) (…), sinalizando a circulação ativa do vírus nesses estados e o aumento do risco de transmissão às populações humanas com a chegada do verão.”.
Infelizmente a mesma matéria (do Ministério da Saúde, heim) continua o texto de forma completamente equivocada, ao indicar como fator de propagação as áreas de corredores ecológicos (que preservam as florestas nativas), ao invés de afirmarem justamente o contrário: que a verdadeira causa deste tipo de epidemia seria o desmatamento destes corredores ecológicos e demais resquícios florestais, seja de forma ilegal ou mesmo “legalizados” pelo poder público.
Segundo matéria da Agência Brasil (2018), “(…) O desmatamento também contribui para a expansão dos mosquitos, já que há perda e fragmentação de seu habitat. “Geralmente as áreas naturais são refúgio desses vetores. O ambiente natural dos mosquitos não é a cidade, geralmente são as florestas, em que eles se autorregulam”. Segundo ele, situações como o desmatamento, degradação de áreas e expansão desordenada em áreas de vegetação podem aumentar a distribuição geográfica dos mosquitos, inclusive para áreas de cidades. “O mosquito que buscava alimentação dele na floresta, entre os animais, passam a transmitir doenças para as pessoas”. (…)”.
Sendo assim podemos perceber que a questão da preservação ambiental nunca foi (ou não deveria ser) uma questão ideológica, mas como afirma Boudou (2005), uma questão “de cabeça”.
Para as crianças e até para adultos infantilizados (ou sem acesso ao conhecimento), talvez poderíamos ensinar estas ideias através de ‘máximas’. Algumas são muito pedagógicas e de fácil absorção, tais como:
“Se você quer água no local e quantidade corretas, sem secas e sem alagamentos, proteja e plante Florestas Nativas“;
Ou como Augusto Ruschi certa vez falou ao fazendeiro de área desmatada no Espírito Santo: “Se o senhor não tem ouvido o coaxar de sapos na floresta à noite, pode se preparar para epidemia de Febre Amarela” (sapos comem mosquitos transmissores);
Ou mesmo como o grande artista Raul Seixas: “Boliram muito com o planeta, o planeta como um cachorro eu vejo. Quando não aguenta mais as pulgas, se livra delas num sacolejo“.
Portanto, diante do atual cenário caótico de Pandemia do Coronavírus, e da infinita ganância política e corporativa mundial com sua bota pisando na cara da humanidade, todos nós percebendo que não se trata de convicção ou ideologia, nem de direita nem de esquerda, até porque não há nada tão democrático quanto as mortes causadas por Pandemias (que não escolhem seus alvos por gênero, nem raça, cor, credo, classe, ou preconceito), só nos resta responder a esta pergunta:
SERÁ QUE AO MENOS AGORA, CAPITALISTAS, COMUNISTAS E NEOABERRAÇÕES IGNORANTISTAS IRÃO APRENDER A LIÇÃO SOBRE SAÚDE E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL???
Alessandro Chakal
Geógrafo, Músico e Escritor.
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Mais uma bomba incendiária de Nietzsche. Para ele, não há ambiguidade, as classes mais altas – a nobreza – são superiores no espírito.
Ele idealiza a figura do suposto cavaleiro ou cavalheiro nobre; tem desigualdade entre os homens, mas essa desigualdade não é de classe social: é a singularidade do sujeito.
E da nobreza sai todo tipo: cultos, idiotas, sádicos, prestativos. O gênio de cada um não está na classe social. Essa é definida exatamente pelo dinheiro e os graus de parentesco.
Essa concepção de Nietzsche de uma faixa nobre e o resto sendo ralé é muito caricatural.
Isso sendo dito, Nietzsche analisa o mal e… o bem.
E Nietzsche tem também tendência a colocar o bem na mão da nobreza e o mal na “plebe”. Maniqueísmo surpreendente! É a velha dialética, castelo/choupana, casa grande/senzala. É a relação senhor, escravo já destacada por Hegel no jogo dialético.
Isso sendo dito, o mal é da plebe sem nobreza de alma e o bem é da nobreza de “brasão”. Nietzsche comete o erro de colocar tudo na psicologia, enquanto se trata de problemas histórico-sociais. Também.
Nietzsche no fundo é um revoltado que termina jogando sua revolta no lado errado da balança. Sua revolta é bela e seus caminhos serpentinos podem se perder. Mas isso: o fato de que a singularidade de um sujeito forte pode fazê-lo mudar de opinião, reconhecer o erro.
Nietzsche se revolta como…os escravos. Ele não é o Mestre? “Oder Was”?
Quem sofre muito na mão de Nietzsche são as mulheres, parece que ele tem medo delas…
O homem domina (na época de Nietzsche) e uma mulher deve se destacar pela beleza, pela fineza, mas jamais se colocar como aquela que sabe, como o “senhor seu mestre”.
É a época das magníficas mulheres de Gustav Klimt, Egon Schiele que mostram todo esse enigma entre o Eros e o Tanatos.
Nietzsche vê a mulher como subalterna e não como ser humano com seus plenos poderes.
Nietzsche é um precursor de Freud (aliás, eles são contemporâneos) porque ambos lembram ao homem que ele tem um corpo, um sexo e que as instituições (casamento) não tem nada a ver com isso. É o lado negativo de Nietzsche, lá onde seu temperamento explosivo funciona bem na revolta, mas fracassa quando quer abordar um assunto mais delicado como é o caso da mulher. Parece que ele precisa de um bode expiatório (democracia, classes sociais) e dessa vez é a mulher. Tudo bem, essa não é um anjo – nem um demônio, mas também não é essa entidade negativa que Nietzsche apresenta.
Na vida, se diz que Nietzsche era muito cortês com as mulheres e ele mesmo as aconselhava a não ler seus livros; há de distinguir o homem e o escritor.
Nietzsche fala em outros livros de “filosofia com o martelo” (Não tem nada a ver com o comunismo), mas ele é vítima do sintoma de “vitimização”. Procura algo ou alguém responsável pelo “meu estado paralelo”. E em outros livros ele critica ferozmente os judeus, felizmente aqui é o contrário, ele os elogia como “raça” forte que sobrevive sem ter mais território.
Nietzsche é um homem de dor, mas ele tem o pudor ou a elegância de não se derramar em poemas lacrimejantes como Lamartine. Não quer dizer que ele não tem sentimento, mas ele tem pudor, palavra que volta várias vezes. É um homem de dor, mas que não se identifica com ela, é seu lado não cristão, apesar de que ele tem uma espécie de admiração por Cristo (ver o livro O anticristo). Ele se identifica também com Dionysos, deus grego dos mistérios embriagados, do sexo, e Cristo e Dionysos têm muito em comum (de vinho), eles nasceram de uma mulher mortal, mas filhos de Deus, eles são torturados, morrem e ressuscitam. Enfim, a bebida de ambos é o vinho.
O problema é de saber como Nietzsche vai fazer para criar seu super-homem mais livre, mais bondoso, mas cruel, maldoso, se colocando nos bancos de réu da inquisição. Entretanto no livro O anticristo, Nietzsche faz um relato de Cristo que é o melhor que já vi.
Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900)
Para ler Nietzsche, um conselho: deixe sua lógica no vestiário. Esse descompromisso com a lógica faz com que ele se aproxime dos poetas; obviamente o “Zaratustra” é poesia de primeira qualidade que lembra a Bíblia e os livros sagrados em geral.
Com esse escrito (sobretudo no “Zaratustra”) ele se reaproxima dos pré-socráticos e vê Sócrates como aquele que pervertera a poesia, a criação artística.
Nietzsche não é inocente no fato que ele foi usado pelos nazistas como mestre-pensador, mas ele também não é culpado, porque em seus livros há algo com o seu contrário não respeitando o princípio da não contradição que é o da matemática e da filosofia cartesiana.
Nietzsche é tanto poeta, quanto escritor e filósofo; observação interessante, ele tem tudo a ver com o espírito brasileiro, com a mentalidade brasileira: por causa de Dionysos. Por isso que ler Nietzsche no Brasil tem todo o sentido para a própria identidade brasileira.
Lá você encontra textos e pinturas deste grande artista e pensador que reside em Vitória-ES.
A Justiça (?) e São George (2013) – Gilbert Chaudanne
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O pó que a VALE nos dá hoje traz pretumes a nossas hortências, assim como se asfalta o banco da praça de um mendigo. E deixa resíduos nas trilhas de minha respiração… Que não me deixe como a nicotina e o alcatrão, e livrai-me dos ais e de hospitais… Aquém!!!
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(Foto: Folia de Reis em Muqui-ES | Fonte: SECULT/ES)
1. INTRODUÇÃO
A idéia de patrimônio em nossa sociedade estava ligada, inicialmente, a bens materiais (e imateriais, como direitos autorais sobre obras musicais e literárias) acumulados e transmitidos de geração a geração, de pais para filhos, como fruto do trabalho daqueles, transmitidos aos filhos como herança. A estes caberia, por sua vez, cuidar do patrimônio herdado, para transmiti-lo a seus herdeiros, assegurando-lhes, sempre que possível, melhores condições de vida. Assim, a idéia de patrimônio e herança estiveram, desde o início, associadas.
A preocupação do homem com a proteção, valorização e defesa dos bens por ele produzidos, criados ou agenciados – materiais e imateriais – culturais, históricos, artísticos, científicos, arqueológicos e paisagísticos, galgou a noção de patrimônio, num patamar mais elevado, que vai além da idéia inicial de bens pertencentes a uma família, chegando ao atual estágio, onde a proteção, valorização e defesa desses bens são de interesse e responsabilidade comum a toda a coletividade. Assim, a responsabilidade por esses bens é tanto dos eventuais proprietários privados, como de toda a coletividade e do Poder Público visando sua proteção, em prol da própria coletividade, face à relevância cultural dessa ação de proteção.
No contexto ambiental, Rodolfo de Camargo Mancuso, assevera que meio ambiente “não se resume ao aspecto naturalístico (= biota) antes referido, senão que comporta uma conotação abrangente, ‘holística’, compreensiva de tudo o que cerca (e condiciona) o homem em sua existência e no seu desenvolvimento na comunidade a que pertence e na interação com o ecossistema que o cerca”. 1
E o como a proteção, valorização e difusão do patrimônio cultural se inserem na temática da proteção e defesa do meio ambiente? Como esses temas se inter-relacionam?
2. DEFINIÇÕES DE PATRIMÔNIO CULTURAL E MEIO AMBIENTE ADOTADAS POR DIPLOMAS LEGAIS A NÍVEL INTERNO E INTERNACIONAL
Para responder a essas questões e enfrentar os desafios de inserir a discussão sobre a proteção, valorização e defesa do patrimônio cultural no âmbito das discussões de questões ambientais, notadamente no que tange ao licenciamento ambiental de empreendimento ou atividades causadores de significativo impacto ambiental, devemos recorrer às definições legais de patrimônio cultural e de meio ambiente, buscando marcar seus campos de correlação e interação. Neste sentido, uma das linhas de atuação de grande importância que a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, colocou em prática, foi a da transversalidade da temática ambiental, com temas como a agricultura, educação, e outras áreas, e in casu com a cultura e a diversidade de manifestações culturais de nosso país.
a) Patrimônio Cultural
De acordo com o art. 216 da Constituição Federal: “constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas…”.
O constitucionalista José Afonso da Silva destaca que “modernizam-se e ampliam-se, portanto, os meios de atuação do Poder Público na tutela do patrimônio cultural. Sai-se também do limite estreito da terminologia tradicional, para utilizarem-se técnicas mais adequadas, ao falar-se em patrimônio cultual, em vez de patrimônio histórico, artístico e paisagístico, pois há outros valores culturais que não se subsumem nessa terminologia antiga”. 2
De se registrar que o primeiro bem imaterial tombado no país pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Nacional foi a ‘panela de barro capixaba’ pela forma tradicional como é feita, há mais de cem anos, passando de geração a geração e por constituir-se em um elemento cultural importante da identidade cultural do Estado do Espírito Santo e de nosso país.
Da mesma forma que a panela de barro, as manifestações tradicionais do folclore capixaba, como o Congo, o Jongo, a Folia de Reis, o Reis de Bois, o Ticumbi, dentre outras, são parte integrante não apenas do patrimônio cultural do Espírito Santo como de todo o país e, por este motivo, devem ser objeto de ações por parte do Poder Público para a sua preservação e valorização, aí incluído o apoio necessário para sua manutenção, bem como para difusão dessas manifestações junto à coletividade. É o preconiza o art. 215 da Constituição quando estabelece que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.
A importância dessas manifestações é registrada pelo saudoso “Mestre Harmojo”, folclorista Hermógenes Lima Fonseca, quando destacou “o expontaneísmo de suas criações é a característica principal quando se observa com acuidade a música que cantam, a coreografia e a letra dos cantos. É o teatro do povo no ambiente em que vive, a céu aberto, nas ruas ou em suas casinhas apertadas para se divertirem e ao povinho que assistem prestigiando e valorizando esses numerosos grupos existentes por todos os cantos do Espírito Santo”. 3
Beatriz Abaurre também destaca sobre esse tema, que “as festas, folguedos ou brincadeiras que o povo inventa, têm uma significativa importância para a vida social, pois é exatamente através dessas manifestações que a comunidade integra-se e se reconhece, evitando a desagregação e a desterritorialização bem conhecidas em locais onde não ocorre a prática desses valores tão representativos da diversidade sócio-cultural de nosso povo”. 4
Como complementação ao direito previsto no art. 215 está outro que foi inserido no art. 216 § 3° segundo o qual “a lei estabelecerá inventivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais”, papel que tem sido cumprido a nível federal pela chamada Lei Ruanet e outros mecanismos, bem como por outros instrumentos de incentivo, como os editais de apoio aos grupos folclóricos que integram o patrimônio cultural de nosso país.
Por sua vez a Emenda Constitucional n° 48, de 2005 contemplou tal direito, ao incluir no referido art. 215, o § 3°, segundo o qual deve ser estabelecido mediante lei, pela União, “o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à: I – defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; II – produção, promoção e difusão de bens culturais; III – formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; IV – democratização do acesso aos bens de cultura”. Assim, este é um direito cultural – constitucional – que deverá ser assegurado a todos: a “democratização do acesso aos bens culturais” e esse direito deve ser assegurado, no caso do patrimônio cultural formado pelos grupos culturais que integram o folclore, mediante o desenvolvimento de ações já mencionadas de valorização e difusão desses grupos.
Outro aspecto importante dos direitos culturais, segundo definição adotada pela Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultura da UNESCO em seu artigo 5°, embora ainda não esteja completamente definida a forma de assegurar sua validade universal – isto é, a validade universal desses direitos – e a instância internacional que deveria se ocupar do tema, bem como o modo pelo qual esses direitos podem se transformar em instrumentos de garantia da Diversidade Cultural; é que esses direitos culturais estão se consolidando como parte integrante e indissociável dos direitos humanos.
A definição do artigo 5° é a seguinte: “Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos, que são universais, indissociáveis e interdependentes. O desenvolvimento de uma diversidade criativa exige a plena realização dos direitos culturais, tal como os define o Artigo 27 da Declaração Universal de Direitos Humanos e os artigos 13 e 15 do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Toda pessoa deve, assim, poder expressar-se, criar e difundir suas obras na língua que deseje e, em particular, na sua língua materna; toda pessoa tem direito a uma educação e uma formação de qualidade que respeite plenamente sua identidade cultural; toda pessoa deve poder participar na vida cultural que escolha e exercer suas próprias práticas culturais, dentro dos limites que impõe o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais”. Ou seja, devemos considerar os direitos culturais de nosso povo – aí incluídos os direitos inerentes aos grupos que integram o patrimônio cultural brasileiro – como direito humano fundamental, com todas as garantias que são inerentes aos detentores desses direitos.
O artigo 2 da DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL, que trata da “diversidade cultural ao pluralismo cultural”, tem um caráter principiológico ao afirmar que “em nossas sociedades cada vez mais diversificadas, torna-se indispensável garantir uma interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, assim como sua vontade de conviver. As políticas que favoreçam a inclusão e a participação de todos os cidadãos garantem a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz. Definido desta maneira, o pluralismo cultural constitui a resposta política à realidade da diversidade cultural. Inseparável de um contexto democrático, o pluralismo cultural é propício aos intercâmbios culturais e ao desenvolvimento das capacidades criadoras que alimentam a vida pública”. Se pensarmos esses “princípios” a nível interno, veremos que a interação harmoniosa entre grupos com identidades culturais plurais, variadas e dinâmicas tem ocorrido entre as culturas indígenas, afros e européias, onde os intercâmbios contribuem para o desenvolvimento da capacidade criadora de nosso povo.
Entre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – DESC reconhecidos pelos Estados Partes que firmaram o Pacto estão o de que “cada indivíduo tem o direito de participar da vida cultural”; e o de “desfrutar o progresso científico e suas aplicações”. As obrigações dos governos abrangem “medidas que os Estados-partes no presente Pacto deverão adotar com a finalidade de assegurar o pleno exercício desse direito incluirão aquelas necessárias à conservação, ao desenvolvimento e à difusão da ciência e da cultura”. E afirma também que “os Estados-partes no presente Pacto reconhecem os benefícios que derivam do fomento e do desenvolvimento da cooperação e das relações internacionais no domínio da ciência e da cultura”.
Entre os deveres que o Poder Público deve assumir, está o fixado no § 1° do art. 215 já citado, segundo o qual “o Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”, ou seja, para o Estado, essa proteção é um dever; para as manifestações, um direito cultural. Além dessa obrigação, também se insere entre os deveres do Poder Público, o previsto no art. 221 no sentido de estabelecer por lei mecanismos para que “a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão” atenda “aos seguintes princípios: I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística”. Assim, não apenas nas emissoras de TV que são públicas – como as TVs Educativas – como as de ordem privada, porém todas elas com caráter de concessionárias públicas deveriam estar obrigadas, por lei, a incluir em suas programações a produção cultural e artística regional ou nacional.
É o que defendia, Ferreira Gullar, mais de duas décadas antes da nova ordem constitucional, “quando se fala em cultura popular acentua-se a necessidade de pôr a cultura a serviço do povo, isto é, dos interesses efetivos do país. Em suma, deixa-se clara a separação entre uma cultura desligada do povo, não-popular, e outra que se volta para ele”. 5
Esses são em linhas gerais, os aspectos culturais dos direitos que devem nortear as propostas de ação, para a valorização e a difusão dos grupos e manifestações folclóricos em todos os estados da Federação, não somente junto aos órgãos culturais, como também aos órgãos ambientais, notadamente quando da discussão dos processos de licenciamento de atividades que possam provocar impactos ambientais significativos sobre esses grupos e manifestações. Para isto, vamos analisar mais detidamente a inter-relação entre patrimônio cultural e meio ambiente.
b) Os Resultados da VIII Conferência Ibero-americana de Cultura
Na VIII Conferência Ibero-americana de Cultura realizada em Córdoba, na Espanha, em junho 2005, ministros da cultura que participaram do evento elaboraram a Declaração de Córdoba onde reconhecem o rico e diversificado patrimônio cultural dos países participantes afirmando sua convicção “de que o desenvolvimento cultural dos nossos países requer um aprofundamento dos valores democráticos e do exercício pleno, por parte dos cidadãos, dos direitos internacionalmente reconhecidos e contemplados nos nossos respectivos regimes jurídicos”.
Nela reiteram compromissos assumidos pela Declaração de São José da Costa Rica de 2004, como: “promover e proteger a diversidade cultural que está na base da Comunidade Ibero-Americana das Nações”, e a procurar “novos mecanismos de cooperação cultural ibero-americana, que fortaleçam as identidades e a riqueza da nossa diversidade cultural e que promovam o diálogo intercultural”, bem como para “estabelecer um instrumento inovador de cooperação cultural ibero-americana, apoiado nos princípios do reconhecimento, proteção e pleno exercício dos direitos culturais; do universalismo, da solidariedade, abertura e equidade; da transversalidade da cultura; da especificidade das atividades, dos bens e dos serviços culturais; do direito e da responsabilidade dos Estados para conceber e aplicar políticas culturais que protejam e promovam a diversidade e o patrimônio culturais; e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável, para a coesão e inclusão social”.
Para consolidar o espaço cultural ibero-americano, conforme a Carta de Córdoba os países devem promover a consecução, entre outros, dos seguintes fins:
– Afirmar o valor central da cultura como base indispensável para o desenvolvimento integral do ser humano; – Impulsionar um desenvolvimento cultural integrador que contribua para superar a pobreza e a desigualdade; – Promover e proteger as identidades culturais ibero-americanas e as diversas línguas; – Estimular o diálogo intercultural entre a Ibero – América e as outras culturas do planeta; – Fomentar a proteção e difusão do patrimônio cultural e natural, material e imaterial, ibero-americano; – Reconhecer a riqueza da contribuição dos migrantes para a interculturalidade dos nossos países; – Facilitar acordos de co-produção e de co-distribuição de atividades, bens e serviços culturais entre os nossos países, nomeadamente no âmbito audiovisual, culturas e tradições que as constituem e enriquecem, bem como as suas capacidades criativas; – Promover o respeito, a proteção e a manutenção dos conhecimentos, das inovações e das práticas das comunidades tradicionais, indígenas e afro descendentes, bem como a distribuição equitativa dos benefícios da sua utilização;
c) Meio Ambiente.
A relação entre patrimônio cultural e meio ambiente se dá notadamente, quando entendemos o meio ambiente com a inclusão das manifestações sociais, nela integradas decerto as culturais, que são direta ou indiretamente influenciadas pelo chamado “desenvolvimento”, em especial quanto aos desdobramentos dos processos de implantação ou ampliação de atividades ou empreendimentos causadores de significativo impacto ambiental.
O conceito de meio ambiente adotado pela Lei 6.938/81, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente – art. 3º – é amplo e considera o meio ambiente como: “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas (Inciso I)”. Considera como degradação da qualidade ambiental: “a alteração adversa das características do meio ambiente (inciso II)”; e poluição: “a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”. Assim, qualquer atividade que de alguma forma, direta ou indiretamente, possa criar condições adversas às atividades sociais, está provocando uma das formas poluição previstas na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente.
Um exemplo claro dessa modalidade de poluição é a que as extensas plantações de eucalipto da empresa Aracruz Celulose provocam sobre as comunidades quilombolas na Região denominada de Sapê do Norte, que abrange territórios dos municípios de Conceição da Barra e São Mateus, no norte do Espírito Santo, incluindo é claro as manifestações culturais do folclore na Região, como o Ticumbi e o Reis de Bois, o que tem sido estudado e divulgado por diversos historiadores e pesquisadores, dentre eles o jornalista Rogério Medeiros, que há algumas décadas acompanha os impactos dos plantios sobre essas manifestações culturais de nosso Estado.
Uma diretriz fundamental para a inserção das manifestações culturais, no que tange à análise e avaliação dos efeitos dos impactos ambientais das atividades e empreendimentos causadores de significativo impacto ambiental está na Resolução 01/86 do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente que além de determinar em seu art. 5º. que os estudos ambientas dessas atividades e empreendimentos devem “identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade” (Inciso II), dentro de uma ótica de definição dos impactos direitos e indiretos definidos no âmbito de uma “área geográfica” (com o aval do órgão licenciador), esses estudos devem contemplar (art. 6º.):
I – Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, com a completa descrição e análise dos fatores e parâmetros a serem considerados recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando:
a) o meio físico – o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas;
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente;
c) o meio sócio-econômico – o uso e ocupação do solo, os usos da água e a sócio-economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. (grifo do autor)
II – Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais.
III – Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas.
lV – Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento (os impactos positivos e negativos, indicando os fatores.
Portanto, as atividades e empreendimentos cuja implantação ou ampliação possam, de alguma forma, provocar direta ou indiretamente impactos negativos – como o caso citados das plantações de eucalipto da Aracruz Celulose – sobre comunidades onde há monumentos e sítios históricos e culturais, incluindo por certo, manifestações integrantes do patrimônio cultural como o Ticumbi, o Reis de Bois, dentre outras de grande tradição no Espírito Santo e no país, estão obrigadas incluir nos estudos ambientais relativos aos licenciamentos, a avaliação dos impactos que a instalação ou ampliação poderá provocar nessas comunidades e nos grupos culturais nelas existentes. E essa avaliação deve se dar antes, durante e após cada etapa do licenciamento, ou seja: antes da instalação (licença prévia), durante a instalação (licença de instalação), e na fase de operação da atividade ou empreendimento implantado ou ampliado (licença de operação); para que sejam identificadas as modalidades de impactos sofridas pelas comunidades e os grupos culturais tradicionais, e adotadas as medidas mitigadoras e compensatórias provocadas por esses impactos.
O jurista Edis Milaré defende que “sob a denominação de ‘Patrimônio Cultural’, a atual Constituição abraçou os mais modernos conceitos científicos sobre a matéria. Assim, o patrimônio cultural é brasileiro e não regional ou municipal, incluindo bens tangíveis (edifícios, obras de arte) e intangíveis (conhecimentos técnicos), considerados individualmente e em conjunto; não se trata somente daqueles eruditos ou excepcionais, pois basta que tais bens sejam portadores de referência á identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos que formam a sociedade brasileira. 6
Já Álvaro Luiz Valery Mirra destaca o tema dos grupos tradicionais: “no tocante ao patrimônio cultural, aliás, abrangido na definição genérica de meio ambiente, é importante ressaltar uma especificidade que freqüentemente tem sido esquecida pelos autores. A defesa do meio ambiente cultural implica não só a preservação do meio físico (os monumentos de valor artístico, histórico ou paisagístico), como também da memória social e antropológica do homem, isto é, das formas de expressão e dos modos de criar, fazer e viver das denominadas ‘comunidades tradicionais’ (grupos formadores da sociedade brasileira ou participantes do processo civilizatório nacional, como os indígenas, os caiçaras, os caboclos, etc.) – arts. 216 e 231” 7
E Belize Câmara Correia complementa essa posição quando afirma “em que pese ser artificial, isto é, produzido pela energia criativa do homem, o meio ambiente cultural vai mais além, pois agrega valores que refletem características peculiares a uma dada sociedade, constituindo, por assim dizer, retrato vivo de sua história e, consequentemente, espelho de sua própria identidade”. 8
Dentro deste contexto, atuando como representante da Comissão Espírito-santense de Folclore no Conselho Estadual de Meio Ambiente, foi acatada pelo plenário do colegiado, proposta de condicionante, incluída na Licença de Instalação No. 150/08, expedida pelo IEMA – Instituto Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Estado do Espírito Santo para o Sistema de Escoamento e Tratamento de Gás Sul Capixaba, da Petrobrás – Petróleo Brasileira S/A, no município de Anchieta. A condicionante No. 01 estabelece que a empresa deverá “apresentar proposta de avaliação de impactos nas fases de instalação e operação do empreendimento nos grupos tradicionais da área de influência direta, bem como de incentivo aos mesmos” (que é constituída pelos municípios de Anchieta, Piúma e Guarapari).
Desta forma, atuando em nome da Comissão Espírito-santense de Folclores, dentro de uma ótica de transversalidade e inter-relação dos temas ambientais e culturais, foram assegurados aos grupos culturais tradicionais das áreas de influência direta do empreendimento da Petrobrás, os direitos ambientais e culturais analisados neste trabalho. Ou seja, o direito ambiental de serem estudados os impactos que o empreendimento vier a provocar sobre as manifestações culturais desses grupos, a fim de mitigá-los ou compensá-los, conforme o caso e; os direitos culturais deles serem apoiados pelo empreendedor, como forma e valorização desses grupos, que são parte integrante do patrimônio cultural do Estado do Espírito Santo e do pais, e como tal indissociáveis também do patrimônio ambiental destes entes da Federativos.
Com essa abordagem buscou-se delinear algumas diretrizes de atuação da representação da Comissão de Folclore – em nome de todas as manifestações culturais tradicionais do Estado do Espírito Santo – no CONSEMA – Conselho Estadual de Meio Ambiente, em processos de licenciamento de atividades ou empreendimentos potencial ou efetivamente causadores e significativos impactos ambientais. E foram essas diretrizes que nortearam a atuação no processo de licenciamento do Terminal de Gás da Petrobrás em Anchieta, uma planta industrial que será matriz para fornecimento de gás para indústrias que têm previsão de se instalarem no município, com a perspectiva de transformar a Região, a médio prazo em um pólo industrial semelhante ao de minério de ferro e de aço existente na Grande Vitória. E, não é difícil perceber que um desenvolvimento com esta magnitude, pode provocar impactos sociais e ambientais significativos, devendo o processo de licenciamento, desde o início incorporar as variáveis de avaliação desses impactos sobre as manifestação e os grupos culturais – integrantes de nosso folclore – para que sejam devidamente mitigados, além da previsão de medidas compensatórias e de apoio à sua proteção, valorização e difusão.
Assim, em processos semelhantes tanto em nosso Estado, como em outros estados da Federação e mesmo nos licenciamentos a nível nacional feitos pelo IBAMA, devemos sempre colocar em pauta a necessidade de avaliação dos impactos ambientais das atividades e empreendimentos, potenciais ou efetivamente causadores desses impactos sobre as comunidades e grupos culturais tradicionais, tendo como premissas:
3 – Conclusões
3.1 Os direitos culturais são direitos assegurados tanto internamente – por normas constitucionais, como visto – como internacionalmente – por instrumentos como o DESC – Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (e também ambientais), que são partes integrantes e indissociáveis dos Direitos Humanos;
3.2 O Poder Público (União, Estados e Municípios), tem o dever – por força dessas normas constitucionais e internacionais (ratificadas pelo Brasil), de atuar no sentido de desenvolver ações de preservação, valorização, apoio e difusão das manifestações culturais, notadamente as que integrante do patrimônio cultural nacional e estadual;
3.3 Nos processos de licenciamento de atividades e empreendimentos, potenciais ou efetivamente causadores de significativos impactos ambientais sobre as comunidades e grupos culturais tradicionais, os órgãos licenciadores devem exigir que os estudos de impacto ambiental incorporem a avaliação desses impactos, para a adoção de medidas mitigadoras e compensatórias, bem como ações e medidas de apoio e difusão dessas manifestações culturais.
Referências Bibliográficas:
1 MANCUSO, Rodolfo de Camargo, Ação Civil Pública: em defesa do meio ambiente, do patrimônio cultural e dos consumidores. 7a. Ed. São Paulo: Ed. RT, 2001. p. 37
2 José AFONSO DA SILVA, José, Curso de Direito Constitucional Positivo, 15ª. Ed., Malheiros, 1998 – p. 806
3 FONSECA, Hermógenes Lima, Tradições Populares no Espírito Santo, 1991 – Governo do Estado do Espírito Santo.
4 ABAURRE, Beatriz, Tombamento e Preservação de Bens Culturais, Instituo Histórico e Geográfico do Espírito Santo, 2005 – p. 15
5 GULLAR, Ferreira, Cultura Posta em Questão, Ed. Civilização Brasileira, 1965, p. 1
6 MILARÉ, Edis, Direito Ambiental, doutrina – prática – jurisprudência ´glossário 1.a Ed. – 2000, São Paulo, Ed. Revista dos Tribunais. p. 184
7 MIRRA, Álvaro Luiz Valery. “Fundamentos do direito ambiental no Brasil”. Revista Trimestral de Direito Público 7/79-1994, p.180.
8 Belize Câmara, A Tutela Judicial do Meio Ambiente Cultural, Revista de Direito Ambiental, Vol. 34, Ed. Revista dos Tribunais, abril-junho/2004, p. 43
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